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Do álcool aos lucros com a Shein: as polémicas do controverso diretor do FBI

O "consumo excessivo de álcool" de Kash Patel está a preocupar o FBI - que teve de solicitar material de arrombamento para o ir buscar a casa depois de ter faltado a uma reunião. Como esta, juntam-se tantas outras controvérsias que vão desde a mobilização de agentes SWAT para proteger a namorada até aos lucros que conseguiu arrecadar com a Shein.

Kash Patel foi o escolhido de Donald Trump para encabeçar o FBI - cargo para o qual foi nomeado em novembro de 2024. Advogado controverso e conhecido por apoiar várias teorias da conspiração de direita, Patel tem protagonizado várias polémicas desde que assumiu a liderança do serviço de inteligência e segurança dos Estados Unidos. Conheça algumas das mais emblemáticas.

O diretor do FBI, Kash Patel, discursa durante uma conferência de imprensa
O diretor do FBI, Kash Patel, discursa durante uma conferência de imprensa Foto AP/Jacquelyn Martin

Consumo excessivo de álcool

Uma das polémicas ainda está bastante fresca: a revista relatou na segunda-feira que o consumo excessivo de álcool por parte de Kash Patel estaria a deixar vários dirigentes do FBI preocupados. Segundo testemunhas a par desta situação, Patel "não terá estado disponível para reuniões" devido a estes episódios e "elementos da sua equipa de segurança [tiveram] dificuldade em contactá-lo". Como consequência, alguns agentes do FBI terão solicitado equipamento de arrombamento para entrar no seu quarto.

O líder da força policial negou, no entanto, tais episódios e, ao classificar este tipo de notícias como "falsas" decidiu avançar com um processo judicial contra a revista e processá-la em 250 milhões de dólares (212 milhões de euros). 

Agentes da SWAT mobilizados para proteger namorada

Kash Patel chegou ainda a ser alvo de críticas por, segundo o , ter usado dois agentes da SWAT (unidade policial especializada em missões de risco)  para assegurar a segurança da namorada - a cantora de country e ativista conservadora Alexis Wilkins - durante um concerto em Atlanta no início de 2025. 

Este não terá sido, no entanto, um episódio isolado. Segundo o New York Times, as equipas da SWAT (unidade policial dos EUA) já haviam sido mobilizadas diversas vezes para proteger a cantora, nomeadamente em Nashville, onde ela mora. Patel acabou, assim, por ser acusado de ter usado ilegalmente estes agentes de elite. Atuais e antigos agentes do FBI consideraram que o uso de agentes da SWAT para esse fim é "altamente incomum".

Sabe-se agora que o FBI terá começado a investigar a jornalista em questão que escreveu este artigo. O objetivo é saber se houve alguma quebra da lei federal contra a "perseguição" da cantora.

Uso de jatos do governo para se encontrar com a namorada

Alexis Wilkins já havia colocado Kash Patel no centro de outra polémica. O diretor do FBI usou por diversas vezes o jato do governo para realizar viagens pessoas, entre as quais idas para assistir a sua namorada a entoar o hino nacional durante uma competição de wrestling, na Peninsilvânia.

Este tipo de episódios levantaram questões sobre um possível uso indevido de recursos federais e levaram Patel a demitir Palmer, que supervisionada a frota de jatos em questão. Com esta demissão, Palmer tornou-se o terceiro chefe do grupo de resposta a incidentes críticos a deixar o cargo ainda durante o curto mandato de Patel.

Doação de armas ilegais

Em julho de 2025, Patel presenteou altos funcionários da polícia neozelandesa com réplicas de revólveres imprimidos em 3D: tratavam-se de modelos do Maverick PG22.

Apesar de Patel as ter descrito como inoperáveis e de a polícia da Nova Zelândia ter concluído que elas se enquadravam na definição legal de armas de fogo, as pistolas acabaram por ser destruídas em setembro, isto porque, de acordo com a leis de armas daquele país da Oceânia, mesmo as armas não funcionais são proibidas.

Lucros com a Shein

O diretor do FBI foi ainda acusado de lucrar com a empresa de moda chinesa Shein. Patel prestou alegadamente serviços de consultadoria para a Elite Depot - empresa que detêm a Shein - durante nove meses, e foi remunerado com ações avaliadas entre 1 milhão de dólares e 5 milhões de dólares (entre 860 mil euros e 4,3 milhões de euros), de acordo com a declaração financeira apresentada no ano de 2025. Críticos argumentam que em causa poderá estar um possível conflito de interesses, uma vez que Kash Patel ocupava um cargo público enquanto promovia uma empresa estrangeira.

Caçada ao assassino de Charlie Kirk

Uma outra grande controvérsia prende-se com a forma como Patel conduziu a caçada ao assassino de Charlie Kirk. O diretor do FBI escreveu inicialmente na rede social X que os agentes haviam colocado um "suspeito" sob custódia e parabenizou o FBI. Acontece que essa informação não chegou ao conhecimento das autoridades de Utah - que realizaram uma conferência de imprensa minutos depois a afirmar que o suspeito ainda estava em fuga. Mais tarde, Patel esclareceu que o suspeito havia sido libertado.

A situação piorou ainda mais quando no mesmo dia agentes do FBI demitidos alegaram que Patel estava muito preocupado com as redes sociais e em divulgar as suas "vitórias". Para acrescentar, a CNN internacional noticiou que altos funcionários do Departamento de Justiça tiveram de intervir para que o FBI entregasse a arma apreendida ao Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos para análise.

Submissão de agentes do FBI a testes do polígrafo

No FBI houve até quem relatasse um clima de repressão e medo. Segundo ao , Kash Patel submeteu vários funcionários a testes do polígrafo para detetar possíveis fugas de informação e lealdade. Alguns agentes terão até sido confrontados com críticas a Patel. O processo levou a algumas demissões e saídas forçadas.

Demissões em massa

O mandato de Kash Patel ficou sobretudo marcado por demissões. As mais recentes ocorreram ainda em abril deste ano, quando o diretor do FBI demitiu três agentes e estes acusaram-no de os demitir de forma "injusta". Antes disso, Patel já havia demitido outras dezenas de agentes.

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