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Castelo de Beaufort, a fortaleza dos cruzados que foi capturada por Israel quase 900 anos depois

Israel capturou este domingo o Castelo de Beaufort, no sul do Líbano, uma fortaleza com quase 900 anos de história e cujo passado é marcado por batalhas entre cruzados, sultões e exércitos modernos.

Foi neste domingo que as tropas israelitas , no sul do Líbano. A tomada de Qala'at al-Shaqif, como é apelidado em árabe (e que em português significa "Castelo de Rocha Alta"), aconteceu após dias intensos de combates e de ataques aéreos em aldeias próximas. Esta não é, no entanto, a primeira vez que são realizados combates naquela fortaleza. Anteriormente, as tropas israelitas já o haviam usado como uma posição estratégica e o seu passado é até marcado por batalhas entre cruzados, sultões e exércitos modernos.

Castelo de Beaufort, no Líbano
Castelo de Beaufort, no Líbano Foto AP/Ariel Schalit

Há ainda muito que não se sabe sobre a história deste castelo, mas acredita-se que a sua construção remonte a 1139, quando Fulque - o rei cruzado de Jerusalém - conquistou o local e o entregou aos senhores de Sídon, que depois iniciaram logo a sua construção - isto apesar de se alegar que já existiram fortificações construídas pelos romanos. Acontece que em 1187 os cruzados sofreram uma derrota esmagadora durante a batalha de Hattin e acabaram por perder a fortaleza para o exército de Saladino - sultão do Egito e da Síria que na altura controlava muitas cidades e castelos da região.

Reinaldo de Sídon, que na altura era um importante nobre e diplomata no Reino de Jerusalém, acabou por lutar contra a queda da fortaleza e encontrou-se com Saladino, fingindo ter afinidades muçulmanas. Ao sultão disse que entregaria o castelo pacificamente, mas que precisava de tempo para retirar a sua família em segurança da cidade cristã de Tiro. Saladino deu-lhe então três meses para se retirar, mas ao invés disso, Reinaldo acabou por ficar e reparar a fortaleza.

Terminado o prazo, Reinaldo solicitou uma prorrogação, mas Saladino insistiu que ele entregasse a fortaleza imediatamente. Perante a recusa, Reinaldo foi feito prisioneiro.

O castelo só voltou a ser controlado pelos cruzados em 1240, na sequência de um tratado negociado por Teobaldo I de Navarra - o primeiro nobre francês a tornar-se rei de Navarra.

Já em 1260, os cavaleiros templários acabaram pro comprar o local, que na altura pertencia ao neto de Reinado, Juliano de Sídon, e oito anos depois cederam-o aos mamelucos - uma elite militar de soldados escravizados cuja divisão militar foi criada por Saladino. Beaufort foi então habitado pelo sultão mameluco al-Zaher Baibars, em 1268, e a partir daí caiu praticamente no esquecimento.

A fortaleza passou depois para as mãos de Fakhr el Din II - que acabou derrotado pelos otomanos, que passaram a controlar o castelo até ao Mandato Francês da Síria e do Líbano, em 1921, que nomeava os franceses como administradores da Síria e do Líbano.

Castelo também serviu de campo de batalha

O Castelo de Beaufort foi capturado pelas tropas israelitas
O Castelo de Beaufort foi capturado pelas tropas israelitas

Durante décadas, esta fortaleza também serviu de campo de batalha, quer para libaneses quer para israelitas.

Em 1976, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) ocupou o castelo e utilizou-o como posição estratégica para disparar contra Israel. Acontece que, em 1982, o local foi palco de batalhas ferozes entre as forças israelitas, os combatentes palestinos e os seus aliados libaneses. Os israelitas passaram então a ocupar a fortaleza e construíram até bunkers. Permaneceram neste castelo até à sua retirada do Líbano, em 2000. 

Como é a fortaleza?

O Castelo de Beaufort possui características distintas de uma fortaleza de cruzados mas muitas invasões que lá ocorreram e o terramoto da Galileia de 1837 acabaram por causar grandes danos. Ainda assim, os vestígios mantêm-se e continuam a contar uma história.

A fortaleza possui três níveis: o primeiro era utilizado como depósito para armazenar munições e alimentos e inclui a muralha, mas foi modificado enquanto esteve sob o controle do exército israelita. O segundo e o terceiro são os níveis mais sofreram alterações. Contam com duas torres - a principal é conhecida como Torre de Dom Juan. Estas eram usadas principalmente para vigilância.

À semelhança de outros castelos, também este conta com passagens estreitas por onde os soldados costumavam lançar flechas contra os exércitos invasores.

Esta fortaleza fica rodeada pelo rio Litani e em tempos de guerra era sobre estas águas que era derramado óleo quente para impedir que o inimigo se aproximasse.

A fortaleza é ainda rodeada de vegetação e a vista é distinguida pelos vários sites de turismo como "espetacular". O castelo oferece vistas panorâmicas "deslumbrantes" para o sul do Líbano e norte da Palestina. No topo é ainda possível observar as Quintas de Shebaa - fonte de controvérsia política, uma vez que a soberania do território é reivindicado pelo Líbano, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece como sendo parte da Síria.

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