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União Europeia propõe a May extensão do Brexit até outubro

O presidente francês queria um adiamento no máximo até 30 de junho, mas a grande maioria dos líderes preferiu dar um extensão mais longa, de quase um ano. Chegou-se a um meio termo.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia a 27 acordaram esta terça-feira em conceder uma nova extensão para a saída do Reino Unido (Brexit) até 31 de outubro de 2019, revelaram fontes diplomáticas conhecedoras do processo e citadas pelos órgãos de comunicação social europeus.

Esta terça-feira, May já reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, na procura de apoio para a extensão do prazo.

A participação dos britânicos nas eleições europeias de 23 de maio é uma das questões que preocupa os intervenientes europeus – na Alemanha, por exemplo, Manfred Weber, candidato pelos partidos da União (que integra a CSU e a CDU, de Merkel), tem-se mostrado reservado quando à aceitação de novo adiamento.

Ainda assim, na carta-convite dirigida aos líderes da UE para a cimeira extraordinária desta quarta-feira, Donald Tusk sustenta que, "pela experiência até ao momento, e atendendo às divisões profundas na Câmara dos Comuns", há "poucas razões para acreditar que o processo pode ser concluído até ao final de junho", razão pela qual se opõe ao prazo de 30 de junho de May e defende em alternativa uma extensão longa, no máximo de um ano.

"Na realidade, conceder tal extensão [até 30 de junho] aumentaria o risco de uma série contínua de curtas extensões e de cimeiras de emergência, criando novas datas sempre no limite. Isso, por seu lado, iria quase certamente ofuscar os trabalhos da UE a 27 nos meses pela frente", escreveu o presidente do Conselho Europeu.

"A contínua incerteza seria também má para as nossas empresas e cidadãos. Por fim, se não conseguirmos acordar qualquer próxima extensão, haveria o risco de um ‘não acordo’ de Brexit essencial", sustentou.

O presidente do Conselho Europeu sugeriu como "uma possibilidade" essa extensão ter um caráter flexível, "que duraria apenas o tempo necessário, e não mais de um ano", uma vez que depois dessa data há decisões para tomar de forma unânime sobre "alguns projetos europeus-chave".