Sábado – Pense por si

Mais de 5.700 peticionários pedem anulação dos exames nacionais

Em causa estão as falhas identificadas no processo de correção dos exames.

Mais de 5.700 pessoas subscreveram uma petição em que pedem a anulação dos exames nacionais, sem prejuízo dos alunos, devido aos problemas no processo de correção, argumentando que as sucessivas falhas técnicas comprometem a validade das provas.

A correção dos exames nacionais está atrasada
A correção dos exames nacionais está atrasada Carlos Barroso

"Se não for possível garantir, de forma imediata e inequívoca, a correção integral e rigorosa das provas, então a única solução justa, proporcional e juridicamente segura é a anulação dos Exames Nacionais 2026 sem qualquer prejuízo para os alunos", lê-se na petição.

O texto, da iniciativa de encarregados de educação e alunos, foi subscrito por mais de 5.700 pessoas, aproximando-se do mínimo de 7.500 assinaturas necessário para garantir que é debatido em sessão plenária na Assembleia da República.

Pela primeira vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.

No entanto, os sistemas informáticos têm apresentado problemas desde o início e, nas últimas semanas, professores classificadores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e problemas técnicos na plataforma de distribuição e classificação.

Na semana passada, o Governo anunciou o adiamento da divulgação dos resultados e da segunda fase dos exames nacionais devido aos problemas técnicos que, na segunda-feira, o ministro da Educação disse estarem resolvidos.

Ainda assim, os peticionários manifestam-se preocupados com o risco de "injustiças irreversíveis", por considerarem que as falhas registadas não permitem "garantir que todas as provas foram digitalizadas e classificadas corretamente".

Para os peticionários, está em causa o principio de igualdade, o direito à avaliação justa e rigorosa e a potencial violação do direito ao acesso ao ensino superior.

Consideram ainda que o reconhecimento das falhas, por parte do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, "confirma que o sistema implementado não estava preparado, não foi devidamente testado e falhou em aspetos essenciais da avaliação externa".

Além da anulação dos exames nacionais, a petição defende ainda que as notas internas dos alunos sejam validadas como base para o acesso ao ensino superior, garantias de que nenhum aluno será prejudicado e a elaboração de um relatório público sobre o processo de classificação.

Por outro lado, os peticionários sublinham o impacto emocional e psicológico nos alunos e o impacto financeiro para as famílias do adiamento da segunda fase dos exames nacionais, que deveria começar a 16 de julho e arranca apenas na tarde de 20 de julho, e termina a 24 de julho, em vez de 22 de julho.

Por isso, pedem também mecanismos de compensação para as famílias que sofreram perdas financeiras devido às alterações de calendário.

Ressalvando que não contestam o modelo digital, mas a "implementação apressada, sem testes adequados", pedem igualmente que a correção eletrónica seja suspensa e retomada apenas quando for fiável.

Artigos Relacionados