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Irão: Exército israelita prevê que a guerra vai durar mais três a seis semanas

Lusa 15 de março de 2026 às 14:51

O Irão rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo neste conflito que se propagou a toda a região e reacendeu a guerra no Líbano, depois de o grupo xiita Hezbollah ter partido em apoio do seu aliado de Teerão e começado a atacar Israel.

As Forças de Defesa de Israel preveem que a guerra com o Irão poderá durar mais três a seis semanas, indicou este domingo o porta-voz do exército, que destacou a existência de “milhares de objetivos pela frente".

Israel intercepta mísseis AP

"Estamos preparados, em coordenação com os nossos aliados americanos, com planos que se estenderão pelo menos até ao feriado judaico da Páscoa [que começa em 01 de abril], daqui a cerca de três semanas. E temos planos mais ambiciosos que abrangem até mais três semanas", precisou Effie Defrin, em entrevista à cadeia televisiva CNN.

Contudo, o porta-voz militar observou que as forças israelitas "não trabalham com um cronómetro ou calendário, mas para atingir os seus objetivos", que consistem em "enfraquecer severamente o regime iraniano".

A entrevista surge no mesmo dia em que o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, insistiu que a guerra contra o Irão vai durar até que sejam eliminadas as “ameaças existenciais” que o país representa para Israel.

“Queremos acabar com as ameaças existenciais do Irão a longo prazo, não queremos ir todos os anos para outra guerra”, declarou Saar sobre a ofensiva aérea desencadeada em conjunto com os Estados Unidos em 28 de fevereiro.

O Irão respondeu desde então com ataques com mísseis e drones contra Israel e contra os países vizinhos, visando em particular bases militares e outros interesses norte-americanos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.

Ao mesmo tempo, colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fazendo disparar o preço do barril para cerca de cem dólares.

Um alto dirigente israelita, que falou sob anonimato ao jornal The Times of Israel, assinalou hoje "sinais de fissuras" dentro do Governo iraniano.

"Estamos a criar as condições" para o derrube do regime, argumentou o responsável israelita, reforçando a posição de Telavive e Washington de que, "em última análise”, tudo dependerá do povo iraniano.

"Pode estar a demorar um pouco, mas não é uma guerra sem fim, e estamos bem à frente do calendário", acrescentou.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou hoje pelo seu lado a afastar a possibilidade de um acordo com o Irão neste momento.

"O Irão quer fazer um acordo, e eu não quero, porque os termos do acordo ainda não são suficientemente bons", declarou, em entrevista à cadeia NBC.

Para Trump, os termos de um entendimento precisam ser "muito fortes" e incluir um compromisso de Teerão para abandonar as suas ambições nucleares.

Até à data, o líder da Casa Branca indicou vários prazos e objetivos para o fim da ofensiva militar.

Dois dias depois do início dos ataques, afirmou que poderia durar "quatro ou cinco semanas", na semana passada reduziu o prazo e disse que estava "prestes a terminar" e na sexta-feira respondeu que vai durar “o tempo que for preciso”.

O Irão rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo neste conflito que se propagou a toda a região e reacendeu a guerra no Líbano, depois de o grupo xiita Hezbollah ter partido em apoio do seu aliado de Teerão e começado a atacar Israel.

Na sexta-feira, alguns dos principais líderes do regime iraniano marcharam no centro de Teerão em desafio dos ataques israelo-americanos, mas não o novo líder supremo.

Mojtaba Khamenei foi ferido, segundo vários relatos de fontes ligadas ao regime iraniano, no mesmo bombardeamento que matou o seu pai e antecessor, Ali Khamenei, e não é visto em público h+a vários dias.

O chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araqchi, disse no sábado que “não há qualquer problema” com Mojtaba Khamenei, que “está a cumprir os seus deveres de acordo com a Constituição e continuará a fazê-lo".

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