Isabel II animada com os seus novos cães

A Rainha atravessa mais uma fase péssima, com o marido no hospital e a entrevista de Harry e Meghan. Só dois pequenos corgis a conseguem confortar.

Os corgis estão tão associados à Rainha de Inglaterra quanto o próprio Palácio de Buckingham. Durante o seu longo reinado, acredita-se que Isabel II tenha tido mais de 30 exemplares da raça galesa. A monarca há muito que dizia que quando o último cão morresse, o que aconteceu em novembro do ano passado, não queria mais nenhum. Mas agora surgem notícias de que dois cachorros corgi entraram no palácio de Buckingham há poucos dias.

A casa real terá encontrado os cães ideais para a Rainha no Pets4Home, um conhecido site de compra de animais de estimação, e que terão custado cerca de 3 mil euros. Os dois animais, de que não se sabe o nome, chegam num momento muito stressante para Isabel II, que está confinada no castelo de Windsor e que faz 95 anos a 21 de abril: o marido, Filipe de Edimburgo, encontra-se hospitalizado há quase um mês e o príncipe Harry e Meghan Markle acabam de dar uma entrevista explosiva a Oprah Winfrey.

Cadela na lua de mel
"A Rainha está encantada com os cães. Seria impensável que ela deixasse de ter corgis. É como se a Torre de Londres não tivesse corvos. Os animais chegaram apenas há uns dias, mas dizem que lhe trazem muita energia, enquanto Filipe está no hospital", disse uma fonte ao The Sun. Estes cães – que têm a aparência de uma raposa baixa e entroncada – são os únicos que não são descendentes diretos da primeira cadela que ela teve daquela raça – chamava-se Susan e foi-lhe oferecida pelo pai, o rei George VI, no seu 18.º aniversário, em 1944. Era tão apegada à cadela que em 1947 a levou para a sua lua de mel. Susan não era muito simpática e deixou marcas dos seus dentes num polícia, num sentinela, num motorista e num relojoeiro real. Morreu em 1959, com quase 15 anos e Isabel II fez questão de mandar fazer uma lápide à sua fiel companheira e sepultá-la em Sandringham, onde estão outros cães da família real.


Há mais de sete décadas que a Rainha tem corgi ou dorgi (cruzamento de dachshund e corgi) e fazia criação da raça. Os filhos, os príncipe Carlos e Ana, tinham os seus próprios corgis, Whisky e Sherry, assim como a rainha-mãe e a princesa Margarida. Em 2007, Isabel II tinha cinco corgis: Monty, Mindy, Missy, Emma, Linnet, Willow e Holly; cinco cocker spaniels: Bisto, Oxo, Flash, Spick e Span; e quatro dorgis: Cider, Berry, Vulcan e Candy. O seu cão mais famoso, Monty, apareceu no vídeo da cerimónia dos Jogos Olímpicos de 2012, com Daniel Craig, estrela de James Bond.

Tropeçar nos cães ou deixá-los órfãos
Em abril de 2018, Willow, descendente de 14ª geração, foi abatido por ter uma doença semelhante a cancro. O último corgi da Rainha, Whisper, morreu seis meses depois. Isabel II teve apenas um corgi chamado Candy, desde que Vulcan, também corgi, morreu em novembro passado. No palácio pensava-se que a monarca não teria mais nenhum animal de estimação depois de ter parado de criar corgis em 2018.

Dizia-se que pela sua idade avançada tinha receio de tropeçar neles e magoar-se, além de que não queria morrer e deixá-los "órfãos". A biógrafa real Penny Junor disse: "Há anos foi decidido que ela não teria mais. Mas os seus corgis são extremamente importantes para ela. Ao longo dos anos, estiveram mais próximos dela do que qualquer ser humano e nunca a decepcionaram".

Chef, bandeja de prata e psicólogo
Os corgis tiveram sempre uma vida privilegiada em Buckingham: havia uma sala só para eles e cada um tinha a sua própria cesta de vime, colocada acima do chão para evitar correntes de ar e os lençóis das camas eram trocados diariamente. Quando Isabel II subiu ao trono, em 1952, passaram a ter ainda mais mordomias: o menu começou a ser elaborado por um chef gourmet e servido numa bandeja de prata. Uma marca própria de biscoitos para cães era servida de manhã, enquanto a refeição do final da tarde consistia em comida de cão com um molho especial. No Natal, a Rainha enchia meias de brinquedos e guloseimas para eles.

Os mais indisciplinados chegavam a ser consultados por um psicólogo. O corgi Chipper foi morto pela matilha, que não poupou nem a dona. Em 1991, a Rainha teve de levar três pontos na mão esquerda por tentar afastar dez numa briga. Ensinada a conter as emoções desde sempre, era com os cães que Isabel II podia esbanjar o seu afeto. A ex-dama de companhia, Lady Pamela Hicks, escreveu-lhe um bilhete depois de um dos seus corgis ter morrido, ao que ela respondeu com uma carta de seis páginas.