Sábado – Pense por si

A oportunidade democrata

As intercalares devem pôr a nu a impopularidade recorde de Trump: apenas 32% dos americanos aprova a sua presidência, valor mais baixo desde que há registos diários do desempenho dos Presidentes dos EUA. Os democratas vão ganhar a Câmara dos Representantes por larga margem (estão 12 pontos à frente e basta vencerem o voto popular por uns 3 ou 4). A grande dúvida reside no controlo do Senado. É preciso uma derrocada republicana em estados onde Trump ganhou por muito. Mas é mesmo isso que as sondagens revelam.

O ICE é a prova que os EUA perderam a face

O ICE é a face dos anos negros do Trumpismo. Que grau de mudança haverá nas intercalares de novembro? Disso dependerá o registo dos últimos dois anos da Presidência Trump. Enquanto isso, é da Igreja Católica que vem o esteio moral dos conservadores. Do Afeganistão, cinco anos depois da tomada de Cabul pelos "talibã", a tragédia das mulheres e meninas afegãs também tem a nossa responsabilidade.

Fedorov e o dilema ucraniano

A "guerra assimétrica" com que a Ucrânia mudou a equação da agressão russa tinha em Fedorov uma das principais cabeças. A inovação tecnológica foi fundamental, mas Sirsky representa o lado mais pragmático e rígido de encarar o sacrifício militar. A queda do jovem ministro da Defesa mostrou que Zelensky percebe que uma guerra, mesmo com estes dados novos, continua ser uma guerra feita por militares. A Ucrânia já mostrou que consegue resistir a tudo. Resistirá, pois, a mais esta crise traumática.

Donald Trump perdeu a narrativa

Donald Trump perdeu a narrativa. O Irão foi um desastre, o Supremo já lhe tinha travado as tarifas e agora travou-lhe o ataque aos filhos de imigrantes nascidos nos EUA, a inflação que não para de subir. Claro que há sempre aqueles 30 e poucos por cento que abdicaram de pensar pela própria cabeça, mas a sangria nos independentes, nos jovens, nos latinos e nos negros é evidente. Tivessem votado com mais consciência: os sinais estavam todos lá.

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A entrega da primeira versão da Declaração de Independência ao Congresso, em 1776, retratada na pintura de John Trumbull
António Araújo

Por dentro do poder, um ensaio de António Araújo

Da Constituição mais antiga do mundo aos impasses atuais, dos históricos impeachments presidenciais à separações de poderes, uma leitura guiada pelas engrenagens institucionais que moldam o sistema político da maior potência global.

Trump preso ao regime iraniano

Teerão é um vencedor parcial. Consegue amarrar um suposto sucesso de Trump à sobrevivência do regime criminoso iraniano (oh, suprema ironia) e passou a saber que tem um instrumento de negociação e eventual coação muito mais efetivo do que o longínquo e custoso objetivo de chegar às armas nucleares ou comprá-las: o controlo de Ormuz, claro.

Erros crassos de homens "fortes"

Trump e Putin projetam-se como "homens fortes", mas cometeram dois erros crassos: acreditaram que poderiam tomar Kiev e Teerão (de formas diferentes), confiando em excesso na eficácia dos respetivos poderes militares. Ignoraram conselhos e planos, não quiseram saber da História e estão agora metidos num enorme sarilho: Vladimir atascado no atoleiro ucraniano, Donald encravado em Ormuz.

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