Sábado – Pense por si

Donald Trump perdeu a narrativa

Donald Trump perdeu a narrativa. O Irão foi um desastre, o Supremo já lhe tinha travado as tarifas e agora travou-lhe o ataque aos filhos de imigrantes nascidos nos EUA, a inflação que não para de subir. Claro que há sempre aqueles 30 e poucos por cento que abdicaram de pensar pela própria cabeça, mas a sangria nos independentes, nos jovens, nos latinos e nos negros é evidente. Tivessem votado com mais consciência: os sinais estavam todos lá.

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A entrega da primeira versão da Declaração de Independência ao Congresso, em 1776, retratada na pintura de John Trumbull
António Araújo

Por dentro do poder, um ensaio de António Araújo

Da Constituição mais antiga do mundo aos impasses atuais, dos históricos impeachments presidenciais à separações de poderes, uma leitura guiada pelas engrenagens institucionais que moldam o sistema político da maior potência global.

Trump preso ao regime iraniano

Teerão é um vencedor parcial. Consegue amarrar um suposto sucesso de Trump à sobrevivência do regime criminoso iraniano (oh, suprema ironia) e passou a saber que tem um instrumento de negociação e eventual coação muito mais efetivo do que o longínquo e custoso objetivo de chegar às armas nucleares ou comprá-las: o controlo de Ormuz, claro.

Erros crassos de homens "fortes"

Trump e Putin projetam-se como "homens fortes", mas cometeram dois erros crassos: acreditaram que poderiam tomar Kiev e Teerão (de formas diferentes), confiando em excesso na eficácia dos respetivos poderes militares. Ignoraram conselhos e planos, não quiseram saber da História e estão agora metidos num enorme sarilho: Vladimir atascado no atoleiro ucraniano, Donald encravado em Ormuz.

Fazer o correto e perder o lugar

Enfrentar Trump é um imperativo moral para quem quer preservar a Democracia. Por estes dias, há autênticos heróis que o fazem no Partido Republicano. São poucos e dois dos mais relevantes (Tom Massie e Bill Cassidy) perderam as primárias por causa disso. Sabem, como no passado souberam McCain e Romney, que é muito mais importante defender a honra e a clareza democrática do que se agarrar a um lugar político que se extingue e é efémero. Haja quem ainda assim seja.

Já nem o drama lhe vale

Trump tenta ir de drama em drama para disfarçar a sua total e manifesta incapacidade de desenvolver políticas públicas estruturadas. Sem soluções para a inflação que ele próprio criou pela aventura irresponsável no Irão, o Presidente dos EUA afunda-se num segundo mandato errático, incompetente e impopular. Nada que não se adivinhasse. Só não viu quem não quis ver. Onde andavam no primeiro mandato?

Numa vigília pela paz, criticou o “delírio da omnipotência” e a apropriação do nome de Deus para fazer a guerra
Luís Francisco

Trump meteu-se com quem não devia?

O Presidente norte-americano atacou o Papa Leão XIV por não apoiar guerras no Irão e no Lí bano - e causou risco eleitoral por descontentamento entre católicos.

Reputação, ou votar com os pés

A reputação não se decreta. Não se impõe com tarifas, nem se conquista com slogans. Constrói-se com previsibilidade, respeito e coerência. E quando se perde, o mundo responde com menos viagens, menos confiança, menos proximidade.

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