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Mau tempo: Portugal enfrenta nova tempestade ainda sem recuperar da Kristin

Lusa 07:29
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O rasto da tempestade afetou fortemente as vias de comunicação, estradas, caminhos-de-ferro, escolas, deixando populações isoladas e pessoas desalojadas.

Portugal enfrenta esta quarta-feira a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a precisar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que causaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.

Inundações em Alcácer do Sal após a tempestade Kristin
Inundações em Alcácer do Sal após a tempestade Kristin Rui Minderico/LUSA

Os autarcas dão conta das necessidades da população em sucessivos apelos para a reconstrução de casas e infraestruturas, que exigem materiais e mão-de-obra qualificada.

A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados, durante reparações, ou intoxicação com origem num gerador.

Os estragos estão ainda a ser contabilizados, desde a destruição total ou parcial de casas, redes de abastecimento de energia e comunicações, num momento em que se teme o agravamento das condições meteorológicas e uma nova subida das águas dos rios, já a transbordar.

O rasto da tempestade afetou fortemente as vias de comunicação, estradas, caminhos-de-ferro, escolas, deixando populações isoladas e pessoas desalojadas.

Os feridos contabilizam-se em centenas.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

Escolas encerradas na quarta-feira da semana passada deverão começar hoje a reabrir, mas algumas só abrem portas na segunda-feira.

Mas noutras zonas do país, como no distrito de Castelo Branco, há ainda municípios sem comunicações móveis ou com instabilidade nas redes. Mais de 70% do concelho de Oleiros estava nesta situação na terça-feira, à medida que diminuía o número de pessoas sem energia elétrica.

Em Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, também ainda havia freguesias sem comunicações na terça-feira e na sede do concelho apenas um operador tinha reposto o serviço.

Na Marinha Grande, o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido em metade do concelho, enquanto as comunicações apenas foram repostas no centro da cidade, de acordo com a informação disponível na terça-feira.

As Forças Armadas foram envolvidas no socorro à população, mas a ajuda demorou a chegar ao terreno e continua a ser solicitada para ajudar a reconstruir telhados levados pelo vento e outras ações para repor a normalidade possível.

O Governo determinou, entretanto, a isenção de portagens, durante uma semana, para facilitar a mobilidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin, em quatro troços com origem e destino em nós das autoestradas 8, 17, 14 e 19.

A Kristin provocou danos em mais de 50 monumentos nacionais, estimando o Governo que sejam necessários cerca de 20 milhões de euros para intervenções de recuperação.

A quem contava com as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, o presidente da Comissão de Auditoria e Controlo do PRR já avisou que não é possível "contar com o dinheiro" do plano para acudir ao impacto causado pelo mau tempo.

O país mobiliza-se para enviar ajuda às populações mais afetadas, organizando grupos de voluntários para recolha de bens e limpeza de vias, com muitas estradas cortadas pela queda de árvores ou inundações.

Com as barragens na capacidade máxima, os solos saturados e a previsão de continuação de chuva, esperam-se cheias junto aos rios, nomeadamente o Douro, na Régua, mas também noutros locais.

A Comissão Europeia manifestou solidariedade com Portugal, face aos impactos do mau tempo, defendendo uma resposta articulada, recurso ao fundo de solidariedade e investimento em redes elétricas mais resilientes.

A passagem da depressão Kristin, na madrugada do dia 27 de janeiro, deixou inoperacionais 774 quilómetros (7%) de linhas de muita alta tensão e derrubou 61 postes.

Cerca de 1,7 milhões de clientes ficaram sem energia elétrica, em consequência das condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir durante aquela noite, de acordo com a E-Redes, do grupo EDP.

Desde terça-feira, vários distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e dos Açores mantém-se sob aviso devido ao vento, chuva, agitação marítima e queda de neve.

A depressão Leonardo começa a atingir Portugal continental com aproximação ao Baixo Alentejo e Algarve, com chuva persistente e rajadas de vento que podem atingir os 75 quilómetros por hora no litoral a sul do Cabo Mondego e 95 quilómetros/hora nas terras altas, de acordo com a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Estima-se que o vento possa ter atingido velocidades superiores a 200 quilómetros por hora, durante a passagem da Kristin por Portugal.

Na base área de Monte Real, foi registada uma rajada de 178 KM/hora.

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