Toda a história do Zmar: BES, falência e um fundo-abutre

Paulo Barriga 05 de maio

Um caso muito português: arrancou como projeto de Potencial Interesse Nacional no tempo de Sócrates, o BES financiou, teve dinheiro público, faliu, e acabou na carteira do Novo Banco.

Desde a criação do luxuoso eco-resort à sua transformação em campo de recobro para trabalhadores rurais imigrantes infetados com Covid-19 vai um abastado percurso de mais de 35 milhões de euros. Foi no verão de 2009 que os primeiros visitantes puderam usufruir daquele que se impôs como um dos maiores investimentos turísticos concretizados em Portugal em plena crise financeira internacional do subprime e na antecâmara do pedido de resgate internacional às contas públicas portuguesas, em 2011.

Mas ali, para os lados da Zambujeira do Mar, Odemira, "crise" era palavra que não assistia ao ideólogo do Zmar. Em pouco mais de um ano, Francisco Espírito Santo de Mello Breyner conseguia erguer nos 81 hectares da herdade A-de-Mateus, que terá custado cerca de 3 milhões de euros, o seu projeto "visionário": uma megaunidade turística sustentável, dotada de habitações construídas em madeira e noutros materiais recicláveis, piscinas, restaurante, spa, centro de congressos, trilhos de arborismo...

Foi, aliás, a vertente ecológica que valeu ao Zmar o reconhecimento de projeto de investimento com estatuto de Potencial Interesse Nacional (PIN). O que, simplificando, pôde eliminar o peso burocrático em termos de autorizações e acelerar todos os licenciamentos por parte dos organismos do Estado, ainda que o empreendimento se localizasse numa área natural considerada "sensível". E, claro está, também facilitou o acesso aos sistemas de incentivo do então chamado Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN): mais de 7 milhões de euros em dinheiros públicos para ajudar a suprir um investimento elegível que ascendia a 35,6 milhões.

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