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Técnicos de emergência e trabalhadores do INEM alertam para redução de meios

Lusa 12:53
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O STEPH disse que a criação desta pool de 40 ambulâncias corresponde, na prática, à retirada de 56 ambulâncias de emergência médica do INEM.

Os trabalhadores do INEM alertaram esta segunda-feira que a 'pool' anunciada de 40 ambulâncias para doentes críticos dos hospitais e para picos de pedidos de ajuda representa uma redução de cerca de 50 meios face ao dispositivo existente.

INEM debaixo de fogo
INEM debaixo de fogo Pedro Brutt Pacheco

Em comunicado, tanto a Comissão de Trabalhadores do INEM como o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) dizem que as informações divulgadas no final da semana, pelo jornal Sol, sobre as mudanças no instituto são "enganadoras e suscetíveis de induzir em erro a opinião pública".

O STEPH disse que a criação desta 'pool' de 40 ambulâncias corresponde, na prática, à retirada de 56 ambulâncias de emergência médica do INEM dedicadas a emergência pré-hospitalar, transformando-as em apenas 39 ambulâncias colocadas nas unidades Locais de Saúde para assegurar transporte inter-hospilatar de doentes, uma medida que se traduz "numa redução efetiva dos meios disponíveis para socorrer a população".

Já a comissão de trabalhadores do INEM disse que o que está a ser desenhado não é uma privatização formal do instituto, mas sim a retirada progressiva de competências, diminuição dos meios próprios, fragilização dos profissionais e abertura deliberada de espaço para que entidades privadas ocupem o que o Estado deixa de assegurar.

"Chamar a isto reorganização é insuficiente. Chamar-lhe modernização é abusivo. Na prática, trata-se de uma privatização material sem privatizar juridicamente o INEM", consideram os trabalhadores do instituto.

Na nota hoje divulgada, o STEPH apontou a anunciada colocação de 90 veículos ligeiros nas ruas das cidades, com médicos e enfermeiros, para assistência aos casos mais complexos, dizendo que corresponde "à manutenção das atuais 44 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e à transformação das 46 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) -- atualmente com enfermeiro e técnico de emergência -- em veículos ligeiros de passageiros".

Embora o número total de meios se mantenha (44 VMER + 46 SIV = 90), os técnicos de emergência pré-hospitalar dizem que se perde capacidade de transporte de doentes, o que consideram "particularmente grave" nalgumas regiões do país.

"Também não é aceitável comparar dois meios de emergência, quando um tem médico e outro não", acrescentam.

Consideram ainda "irrealista" a manutenção do objetivo político de garantir tempos de resposta inferiores a oito minutos, lembrando que não tem sido alcançado desde a sua implementação, há cerca de seis meses, e que tal "não se determina por decreto".

Relativamente à anunciada possibilidade de recorrer ao setor privado para responder aos casos menos graves, classificados com tempo de espera até 120 minutos, os técnicos alertam para vários constrangimentos legais e operacionais.

Recordam que qualquer abertura ao setor privado terá de ser através de concurso público, sendo provável que associações humanitárias de bombeiros voluntários ou a Cruz Vermelha Portuguesa apresentem propostas mais competitivas, devido à sua estrutura de custos e benefícios fiscais, o que poderá apenas resultar num aumento dos encargos públicos.

Depois, dizem ainda que a atual legislação não permite o transporte de doentes urgentes em ambulâncias sem dispositivos acústicos e luminosos, nem por entidades que não sejam Postos de Emergência Médica formalmente constituídos.

Os profissionais associam-se ainda aos alertas recentemente deixados por ex-presidentes do INEM relativamente às alterações em curso no sistema de emergência médica pré-hospitalar.

Numa carta publicada no jornal Expresso há uma semana, quatro ex-presidentes do INEM (Sérgio Janeiro, Luis Meira, Regina Pimentel e Miguel Oliveira) e pelo ex-presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica, que chegou a ser convidado a assumir a presidência do instituto, Vitor Almeida, manifestaram "preocupações técnicas e operacionais" com as mudanças anunciadas para o instituto, alertando que contribuem para a "fragmentação" do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).

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