Tancos: Juiz insiste na presença de Costa em tribunal

Carlos Rodrigues Lima , Leonor Riso 08 de janeiro de 2020

No arranque da fase de instrução, Carlos Alexandre admitiu questionar o primeiro-ministro por escrito, mas deixou claro que, caso haja necessidade, António Costa será convocado para depor presencialmente

O juiz Carlos Alexandre está irredutível: caso seja necessário, António Costa deve prestar depoimento presencial durante a fase de instrução do processo do furto/achamento do material militar de Tancos. Esta é a conclusão de um novo despacho do magistrado judicial que foi enviado, esta terça-feira ao fim da tarde, aos advogados e Ministério Público, a poucas horas do início das audições de testemunhas e interrogatórios de arguidos, que começam esta quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal. Carlos Alexandre, porém, remteu para a defesa do ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, a decisão de manter o primeiro-ministro como testemunha, já que foi por si arrolado.

Num longo despacho, Carlos Alexandre começou por sublinhar aquele ponto: foi Azeredo Lopes quem chamou António Costa ao processo como testemunha. Em seguida, o juiz recordou ainda que, após o pedido de autorização ao Conselho de Estado (como manda a lei) para o primeiro-ministro prestar depoimento e apesar de o ofício do tribunal já ter dado conta que não seriam aceites depoimentos por escrito, foi o próprio António Costa a solicitar ao Conselho de Estado para que o seu testemunho fosse dado por escrito.

"Tal pedido parece ter desconsiderado a posição assumida pelo tribunal quanto à necessidade de o depoimento ser presencial", escreveu, por sua vez, Carlos Alexandre, no despacho a que a SÁBADO teve acesso, lembrando que a defesa de Azeredo Lopes, quando arrolou António Costa como testemunha, nada disse sobre o tipo de depoimento a prestar pelo primeiro-ministro.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Investigação
Opinião Ver mais