Informação foi confirmada esta sexta-feira pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos na sequência dos sismos que na quarta-feira abalaram a Venezuela subiu para 28, confirmou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas que adiantou que estão ainda 85 pessoas desaparecidas.
Veículo é esmagado por prédio que desabou na VenezuelaFoto AP/Javier Campos
Emídio Sousa, que falava aos jornalistas a partir da base aérea de Beja - onde está prevista a partida de dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa que transportam um total de 64 pessoas para a Venezuela - já havia reconhecido ainda esta sexta-feira que o número e cidadãos portugueses mortos naquele país pode continuar a aumentar, apesar de se tratar apenas de uma "previsão". Esta tarde, o secretário de Estado falava até num total de 15 portugueses e lusodescendentes mortos.
"Face ao número de prédios que colapsaram, estarão com certeza pessoas subterradas nos escombros, portanto é muito provável que os números venham a aumentar", adiantou.
Em desenvolvimento
Sismo duplo abala a Venezuela: 32 mortos e mais de 700 feridos
Dois abalos de magnitude 7,2 e 7,5 a apenas 39 segundos de distância sacudiram o país e foram sentidos a milhares de quilómetros, da Colômbia ao Brasil.
Epicentro · Costa norte da Venezuela
Profundidade · 10 km
Estado de emergência · Decretado por Delcy Rodríguez
32Mortos confirmadosBalanço oficial
700+FeridosHospitais sobrelotados
10kmProfundidadeSismo superficial
39sEntre os 2 abalosSismo duplo
Magnitude
7,2
1.º abaloEscala de Richter
+ 39s
Magnitude
7,5
2.º abaloO mais forte desde 1900
T = 0 s
Primeiro abalo de magnitude 7,2 atinge a costa norte da Venezuela.
+ 39 s
Segundo sismo, de magnitude 7,5 — o mais violento desde 1900 — sacode Caracas.
Minutos depois
Tremor sentido em Bogotá, Manaus e Trindade, a milhares de quilómetros do epicentro.
Primeira hora
Encerramento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar dificulta a chegada de ajuda externa.
Madrugada
A presidente interina Delcy Rodríguez decreta estado de emergência nacional.
Manhã seguinte
Balanço oficial: 32 mortos e mais de 700 feridos. USGS emite alerta vermelho.
Caracas (epicentro)~50 km
Bogotá, Colômbia~1.000 km
Manaus, Brasil~2.300 km
Port of Spain, Trindade e Tobago~600 km
A propagação a longa distância explica-se pela elevada magnitude (7,5) e pela baixa profundidade (10 km): ondas sísmicas superficiais viajam mais longe.
O que é o PAGER?
Modelo informático do Serviço Geológico dos EUA (USGS) que cruza magnitude, densidade populacional e qualidade construtiva para estimar vítimas e perdas em minutos.
Porquê 32 vs. 10 mil?
O balanço oficial conta apenas vítimas já recuperadas. O PAGER projeta o cenário provável com base em colapsos estruturais ainda por confirmar.
Caracas: alto risco
Edifícios antigos, encostas instáveis e bairros densos elevam a vulnerabilidade — fator decisivo na estimativa do USGS.
Resgate em risco
O encerramento do Aeroporto Simón Bolívar atrasa equipas internacionais e meios pesados de busca e salvamento.
Alerta Vermelho USGSProjeção de até 10 000 vítimas mortais e perdas económicas superiores a mil milhões de dólares.
1900San Narciso — abalo destrói parte da costa caribenha venezuelana.7,7
1967Caracas — mais de 280 mortos; trauma urbano marca uma geração.6,5
1997Cariaco — colapso de escolas provoca 73 mortos no estado de Sucre.7,0
2026Sismo duplo na costa norte — o mais forte registado desde 1900.7,5
Questionado se o Governo português já pensa em alguma operação de repatriamento de portugueses que estão na Venezuela, o secretário de Estado respondeu: "Penso que não é uma questão de repatriamento. Neste momento é uma questão de sobrevivência. São portugueses que vivem lá e têm lá a sua vida. Um eventual regresso não se tem colocado. Não temos tido nenhum pedido e julgo que não é isso que está em causa."
Emídio Sousa recordou, contudo, que "de qualquer das forma, julgo que os voos comerciais também serão retomados a curto prazo. Portanto, alguma pessoa que queira regressar já o podem fazer."
Na quarta-feira, dois fortes sismos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, deixando pelo menos 589 mortos e quase 3 mil feridos. Entre as vítimas mortais encontram-se 15 portugueses e lusodescendentes, confirmou esta sexta-feira Emídio Sousa.
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