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Sindicatos da PSP lamentam que acordo com Governo esteja parado há dois anos

Lusa 20:36
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Luís Neves retomou esta segunda-feira as negociações com as associações socioprofissionais da GNR e sindicatos da PSP.

Dois dos sindicatos da PSP que assinaram com o Governo o acordo em 2024 lamentaram esta segunda-feira que nada tenha sido feito em dois anos, considerando que as promessas continuam no papel do ponto de vista negocial.

O Ministro da Administração Interna agendou mais três reuniões com os sindicatos da PSP
O Ministro da Administração Interna agendou mais três reuniões com os sindicatos da PSP Direitos reservados

"Diria que é mais uma reunião, parece que andamos a fazer uma renovação de votos de reunião após reunião. Voltamos a dizer que queremos negociar um acordo que foi celebrado há dois anos", disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP), Bruno Pereira, no final de uma reunião com o ministro da Administração Interna.

Luís Neves retomou esta segunda-feira as negociações com as associações socioprofissionais da GNR e sindicatos da PSP e, segundo estas estruturas, a reunião desta segunda-feira tinha como objetivo "dar seguimento" ao acordo assinado em julho de 2024 com o Governo, nomeadamente começar a negociar a tabela remuneratória, suplementos e estatuto profissional.

O presidente do SNOP, um dos sindicatos que assinou aquele acordo, lamentou os "dois anos de tempo perdido" e que tenham esta segunda-feira saído da reunião "mais uma vez datas e sem uma negociação efetiva".

"Do ponto de vista material temos um acordo que está por ver a luz do dia do ponto de vista negocial. Andamos aqui de reunião em reunião a apresentar os problemas, a falar de uma programação quanto a essa mesma negociação, sem ver e sem tratar de forma consequente cada um dos assuntos", precisou.

Também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PS), um dos três sindicatos da PSP que assinou o acordo, considerou que este processo "já é longo" e tem quase dois anos sem qualquer desenvolvimento.

"A reunião pareceu-nos um pouco estranha", afirmou à Lusa o presidente da ASPP, Paulo Santos, frisando que estava à espera que o ministro apresentasse uma proposta em concreto, uma vez que já existe um acordo negocial assinado sobre as matérias a discutir.

O presidente do maior sindicato da PSP disse estar "um pouco cansado de estar neste processo negocial e de ver apenas o acordo de 2024 cumprido na parte do suplemento de risco".

Paulo Santos lamentou que tivessem sido introduzidos na reunião outros assuntos que não estavam incluídos no acordo, considerando que são matérias importantes, como a pré-aposentação ou pensões, mas que devia ser tratadas num novo processo negocial.

"Acho que era importante da parte do Governo centrar-se naquilo que é realmente importante, que são as tabelas remuneratórias, os suplementos e algumas alterações ao estatuto, para poder, não só respeitar o acordo celebrado, mas dar resposta àquilo que são as necessidades da polícia", frisou.

O presidente do maior sindicato da PSP manifestou também "algum receio de que aquilo que resulta do acordo possa não ir ao encontro em termos temporais e em termos de substância" do que os polícias pretendem.

Segundo os sindicatos, o ministro mostrou vontade de resolver as questões previstas no acordo, tendo agendado mais três reuniões para 22 de junho, 15 de julho e 2 de setembro.

"O ministro demonstra vontade de querer avançar e reconhece que, efetivamente, em termos salariais, de estatuto e suplementos, é necessário fazer alterações e dar avanço. Agora, o que nós consideramos é que não nos parece que o Governo no seu todo demonstre essa disponibilidade", disse ainda.

Já Bruno Pereira afirmou que "a única coisa objetiva" que Luís Neves disse na reunião foi que "pretendia ver os assuntos que constam do acordo tratados e negociados até setembro", considerando ser difícil em três reuniões a sua concretização uma vez que são "tantos os assuntos e tão importantes".

"Os suplementos até se resolvem relativamente bem, havendo um pacote financeiro, dependendo da disponibilidade financeira, mas as tabelas remuneratórios obedecem a uma minúcia maior, a um detalhe maior e a uma profundidade maior. Não é de um dia para o outro", disse o presidente do sindicato que representa os oficiais da PSP.

De manhã, o ministro esteve reunido com as associações da GNR e prometeu alterar este ano o estatuto remuneratório, uma das principais reivindicações.

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