Regresso dos jihadistas portugueses do ISIS preocupa autoridades

C.A.C. , Lusa 29 de março de 2018
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Relatório Anual de Segurança Interna alerta para a possibilidade de o País ser utilizado como plataforma de trânsito ou apoio logístico para o recrutamento de jihadistas.

A ameaça terrorista em Portugal é classificada como moderada, embora exista a possibilidade de o País ser utilizado como plataforma de trânsito ou apoio logístico para o recrutamento de jihadistas. E O País está preocupado com o possível regresso a Portugal dos portugueses que lutam ao lado do auto-proclamado Estado Islâmico.

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2017, entregue na Assembleia da República esta quinta-feira, avança que "continuam a não ser identificadas referências específicas" a Portugal na propaganda difundida pelos grupos e organizações terroristas, além de não se ter agravado, até ao momento, os indícios que culminam na execução de atentados.

No entanto, Portugal enfrenta riscos potenciais semelhantes aos existentes actualmente num conjunto de países europeus, tendo em conta que não existe imunidade no que ao terrorismo diz respeito. O RASI sublinha que merece "destaque a possibilidade do recurso ao território nacional como plataforma de trânsito ou apoio logístico para o recrutamento de jihadistas".

As autoridades portuguesas estão preocupadas com a permanência de um grupo de cidadãos com nacionalidade portuguesa na região do conflito sírio-iraquiana associado ao Grupo Estado Islâmico e que ocupam lugares destacados na estrutura hierárquica da organização, sobretudo em caso do potencial regresso a Portugal ou a qualquer outro país europeu.

O RASI refere igualmente que a presença de crianças e de adolescentes numa zona de conflito constituiu, a prazo, uma preocupação de índole social e humanitária, mas também "securitária pela possibilidade de regresso à Europa de jovens sem antecedentes, mas já informados pela ideologia jihadista e expostos durante anos à violência da organização terrorista Estado Islâmico, considerando as suas práticas como normais, legítimas e adequadas".

Espionagem: "a ameaça real e concreta"
O relatório alerta ainda para "a ameaça real e concreta" contra a segurança e os interesses nacionais que representa a espionagem desenvolvida por métodos tradicionais e através de ciber-ataques.

"A espionagem desenvolvida por métodos tradicionais e através de ciber-ataques, com o intuito de aceder a informação classificada e sensível de natureza política, militar económica ou científico-tecnológica, representa uma ameaça real e concreta contra a segurança e os interesses nacionais", refere o RASI.

Segundo o mesmo documento, nos domínios político e militar, as acções de espionagem visam aceder "à informação que possa antecipar ou condicionar as posições do Estado português em assuntos de relevância internacional, comprometer os interesses portugueses" na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como das organizações de que Portugal é estado-membro, em especial a NATO e a União Europeia.

O RASI dá também conta de um agravamento do risco de espionagem económica nas áreas da ciência, tecnologia e economia, devido ao aumento da concorrência entre países para a captação de mercados de produtos e serviços, de matérias-primas e de recursos energéticos, de conhecimentos tecnológicos e de inovação e de investimentos directo estrangeiro.

"Em determinadas situações, interesses estrangeiros procuram recolher informação económica relevante que permite às suas empresas explorar, em proveito próprio, o acesso privilegiado de Portugal a diversos mercados", indica o relatório, destacando que a actividade de contra-espionagem incidiu sobre "a presença e acções clandestinas desenvolvidas por oficiais de informações de serviços estrangeiros colocados no território nacional, com saliência para as operações de recrutamento e gestão de fontes humanas".

Nesse sentido, alerta para os ataques cibernéticos com a assinatura de grupos estrangeiros, "para exfiltração de informação e dados", realidade que ameaça a segurança das infra-estruturas críticas, de organismos governamentais e de entidades privadas portuguesas.

Para os serviços de informação, a cooperação com os serviços congéneres estrangeiros e com entidades nacionais, no domínio da ciber-espionagem, tem sido fundamental para a identificação e caracterização das campanhas de ataques, bem como para a identificação dos alvos nacionais e com vista ao reforço das suas capacidades de protecção.

Segundo o RASI, a criminalidade violenta e grave diminuiu 8,7% no ano passado, em relação a 2016, enquanto os crimes gerais aumentaram 3,3%.

O relatório reúne os indicadores de criminalidade registados pela Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Polícia Judiciária, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Polícia Marítima, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Autoridade Tributária e Aduaneira e Polícia Judiciária Militar.

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