Quem é quem no jornal que quer combater a extrema-direita

Quem é quem no jornal que quer combater a extrema-direita
Marco Alves 25 de outubro de 2021

Não é novidade um projeto jornalístico de esquerda, mas este tem dois deputados e várias figuras conhecidas a apoiá-lo. A extrema-direita é o alvo principal das reportagens.

Não é preciso passar muito tempo no site do jornal digital Setenta e Quatro para encontrar nos títulos dos artigos dois fios condutores do projeto. Por um lado, um foco permanente na extrema-direita: “Proud Boys: o gangue de extrema-direita que se transformou numa rede internacional”; “De que falamos quando falamos das novas extremas-direitas?”; “Chega não se defendeu junto do Tribunal Constitucional em caso de ilegalidades estatutárias”; “O Setenta e Quatro mapeou o universo da extrema-direita de 1974 até 2021”; “A extrema-direita e a radicalização: o que saber, como agir”; ou “Quem vota na extrema-direita? O eleitorado do Chega e do Vox.”

Por outro lado, o foco na resistência, na luta e no protesto: “O que nos diz, hoje, a música de intervenção?”; “A descolonização (mediática) da Palestina”; “A Europa fecha vergonhosamente a porta aos refugiados afegãos”; ou “A cruzada anticomunista contra López Obrador.”

Embora seja evidente o cunho de uma agenda de esquerda neste novo projeto jornalístico (visível até no currículo de quem o faz), esse termo nunca é usado (o mais próximo que se encontra é “progressista”, palavra hoje mais associada aos direitos das minorias e da causa ambiental). Veja-se a resposta que o diretor, Ricardo Cabral Fernandes, deu à pergunta da SÁBADO sobre se, depois de terem mapeado o “universo da extrema-direita de 1974 até 2021”, ponderam fazer o mesmo com o universo da extrema-esquerda: “Não ponderámos.”

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais