O investigador em Ciência Política, José Adelino Maltez, elogia, por outro lado, a postura de António José Seguro, que “ficou calado”
André Ventura e Marques Mendes num debate sobre as Presidenciais de 2026SIC
Marcelo Rebelo de Sousa marcou uma reunião Conselho de Estado para 9 de janeiro, poucos dias antes das eleições presidenciais, e a convocatória tem sido tema dos últimos dias, uma vez que dois candidatos presidenciais - Luís Marques Mendes e André Ventura – fazem parte dos conselheiros.
Ainda no sábado André Ventura apelou ao Presidente da República que adie a reunião do Conselho de Estado para depois de uma eventual segunda volta das presidenciais - que, a verificar-se, terá a 8 de fevereiro. O líder do Chega acusou ainda Marcelo de escolher a data “apenas para interferir e participar nesta campanha eleitoral”.
Até aí parecia existir apenas um mal-estar entre André Ventura e Marcelo, no entanto Gouveia e Melo juntou-se à conversa para defender que a função de conselheiro de Estado não é compatível com a de candidato presidencial, mas dirigiu as suas críticas apenas a Marques Mendes: “Se fosse eu, tinha pedido ao senhor Presidente da República para sair do Conselho de Estado logo que me tivesse candidatado. Isso não aconteceu, acho mal, é a minha opinião, mas é o doutor Luís Marques Mendes que vai ter de pensar se ser conselheiro de Estado e ser candidato em simultâneo é uma coisa boa ou má". O almirante firmou ter esta opinião “não só porque tem acesso a informação privilegiada, como está numa função de Estado que não é compatível com o facto de ser candidato”. Mas defendeu que este Conselho de Estado em particular deve realizar-se, até porque “os assuntos de Estado não podem estar à espera das campanhas eleitorais”.
Marques Mendes desvalorizou, no domingo, o que considera ser uma “polémica sem sentido” e referiu que a sua presença significa apenas “três horas a menos na campanha”.
"Eu vou ao Conselho de Estado. Quem se poderia eventualmente queixar desta decisão seria eu e o André Ventura, porque somos os dois conselheiros. Mas ninguém perde eleições por três horas de diferença", sublinhou.
A realidade é que não há nada que impeça o Presidente da República de convocar o Conselho de Estado durante o período de campanha, nem os candidatos de marcarem presença. José Adelino Maltez, investigador em ciência política considera que “toda esta conversa não passa de um bailado mediático para ganhar mais tempo de antena durante a campanha”. O também professor acredita que os vários candidatos têm interesses diferentes com esta discussão: “Para Gouveia e Melo é uma forma de pressionar o presidente, para Marques Mendes e André Ventura é mais uma oportunidade de tirar uma fotografia em Belém. As televisões vão estar à porta e alguns dos candidatos serão vistos”.
Ainda assim o especialista acredita que esta discussão “não tem interesse absolutamente nenhum” e que António José Seguro - também candidato presidencial – tomou a melhor decisão: “Ficou calado e ficou muito bem”.
José Adelino Maltez recorda que esta discussão ocorre numa altura em que, passados mais de seis meses, o Parlamento ainda não nomeou os cinco membros do Conselho de Estado que lhe cabe nomear, o que deixa caro que “o nosso sistema político está engasgado”.
Segundo o site da Presidência da República, a reunião do Conselho de Estado tem como objetivo “analisar a situação internacional, em particular a situação na Ucrânia” e não falar das eleições presidências. Por isso o investigador recusa a ideia de que exista qualquer benefício proveniente de informação privilegiada que os candidatos presentes possam vir a ter.
A situação em Belém em relação à Ucrânia ficou particularmente tensa depois de Luís Montenegro ter afirmado que existe a possibilidade de meter “botas no terreno”, sem previamente ter discutido o assunto com o Presidente, pelo que José Adelino Maltez acredita que há neste momento “uma falta de respeito sobre a guerra”, pelo que toda esta discussão não passa “de um insulto a quem morre”.
“Devemos todos ter a humildade necessária para atingir a paz. Esta é a mais mortífera das guerras desde a 2.ª Guerra Mundial e, apesar de não termos influência direta no processo, também não podemos ficar indiferentes”.
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