Os passos necessários para resgatar as vítimas da tragédia de Borba

Cátia Andrea Costa 20 de novembro de 2018

Presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil explicou à SÁBADO porque não é possível colocar um prazo para a realização das operações de busca e resgate na pedreira.

A retirada, esta terça-feira, de um corpo da pedreira em Borba, onde um deslizamento de terras numa estrada do concelho arrastou uma retro-escavadora e pelo menos duas viaturas, não altera a previsão de que as operações de busca e resgate vão ser morosas e de grande complexidade. "O corpo descoberto esta terça-feira não estava completamente soterrado, era visível da parte de fora. Não foi preciso tirar entulhos. As outras viaturas que caíram - que não se sabe se são duas ou três - não se sabe onde estão, em que condições estão e o que é necessário fazer para retirar de lá as vítimas", explicou à SÁBADO o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil, Ricardo Ribeiro.

Para o também comandante dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos são vários os motivos que sustentam esta opinião manifestada pelo comandante das operações de socorro (COS). "Primeiro, o próprio enquadramento do teatro de operações, onde existe um problema grave de segurança. A cratera instável condiciona as operações", começou por explicar, acrescentando que também a questão climatérica "é preocupante, pois dão chuva para os próximos dias – a segurança e estabilidade do local voltam a estar em causa". Em causa está ainda o facto de "os dias serem mais curtos", "haver "uma massa muito grande de matéria e detritos em cima das viaturas" e não existirem "certezas sobre a localização das vítimas" – as águas turvas não ajudam a que esse processo seja concluído com facilidade.

O delinear da operação não é um plano fechado. Em primeiro lugar, o COS recolhe informação junto de várias fontes: elementos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, pessoal de engenharia de estruturas, das Estradas de Portugal, o técnico da pedreira, entre outros. Depois, com base nestas indicações, vai tomar decisões. "Estas informações podem ser no sentido da encosta estar segura e portanto pode trabalhar-se ou não está e não se pode trabalhar da forma pensada. Logo aí, há uma primeira decisão", explicou Ricardo Ribeiro.

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