Os curiosos protagonistas do activismo verde

Os curiosos protagonistas do activismo verde
Maria Henrique Espada 28 de julho de 2018

Há “associações” que não passam de páginas de Facebook, ligações ao BE, grupos dentro de grupos e até uma comunidade pelo sexo livre nos protestos contra o furo de Aljezur. E há movimentos com outra estrutura que admitem que isto põe um problema de credibilidade aos ambientalistas.

O primeiro nome a surgir em vários protestos pelo fim do furo de Aljezur é o ALA, Alentejo Litoral pelo Ambiente. É um dos promotores da manifestação de 14 de Abril, em Lisboa, "Enterrar de vez o furo, tirar as petrolíferas do mar", e primeiro signatário da carta aberta a pedir a demissão do ministro do Ambiente. Ora, o que é o ALA? Não tem site, apenas uma página de Facebook gerida por Fátima Teixeira, que, na sua própria página de Facebook indica gerir ainda outra página, a Plataforma Transgénicos Fora, e trabalhar no Tamera – a comunidade alternativa do Sudoeste Alentejano, que, no seu site, no segmento "Investigação", a par da Terra Deva ("ecologia espiritual"), exibe também referências à "sexualidade como poder sagrado", "sexualidade e parcerias livres", e conceitos mais difíceis de traduzir a leigos ("Ashram Político", "Círculo das Pedras", "Marisis"). Fátima Teixeira esteve a 21 de Abril a representar o ALA no debate Ainda é possível Parar o Petróleo?, em Vila Nova de Milfontes. E o Tamera, por sua vez, também foi um dos movimentos promotores da manifestação de dia 14.

Contactada a página de Facebook do ALA, quem respondeu afinal foi Eugénia Santa Bárbara, que em 2017 participou no protesto na marginal de Sines em que cerca de 10 pessoas se pintaram com tinta de choco para "simular um derrame de petróleo" e dizer não ao furo. Acabou por não ser possível o contacto (nunca por falta de disponibilidade da SÁBADO), e apenas ficou claro numa mensagem que o protesto de 7 de Julho, um cordão humano nas praias contra o furo, estava a ser organizado por outras pessoas, "os movimentos e organizações apoiam e divulgam". Em resumo: o ALA é uma página de Facebook, com alguma ligação ao Tamera, e não parece ter corpos sociais nem foi possível saber se são 10 ou 100. E pelos vistos só deu o nome.

Outro grupo: o Tavira em Transição (apenas página de Facebook) apresenta-se como um movimento comunitário que promove a transição para um futuro mais sustentável: surgiu em 2011 "aquando da reunião de alguns cidadãos que, sensíveis às mais variadas questões, problemáticas e soluções" dão início a uma "iniciativa de transição". Há vários vídeos de cânticos do Tavira em Transição postados no YouTube por Ângela Rosa, que surge associada ao movimento e que se apresenta assim, numa outra página (Orgânica Shanti): "Mais o André, estudaram medicinas alternativas, facilitaram workshops Vive o Bem, Caminhadas Meditativas e contribui para a BK [presume-se que seja o movimento religioso Brahma Kumaris]. E que respondeu ao email da SÁBADO em que se questionava sobre os corpos sociais, quem os dirige e quantos são, explicando que são "um movimento informal de cidadãos activos".
"As nossas acções são sustentadas na base da economia de dádiva, os cidadãos disponibilizam os seus talentos e ajuda e raramente recorremos ao uso de dinheiro. Somos um grupo de pessoas de várias nacionalidades e várias idades", sem especificar quantas e como se organizam.

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