Os 24 sacos de notas de 500 euros levantados pelo clã Ricciardi

Os 24 sacos de notas de 500 euros levantados pelo clã Ricciardi
Carlos Rodrigues Lima 21 de janeiro

Um mês antes da queda do BES, os elementos do clã desdobraram-se em movimentações para salvaguardar algum património financeiro. José Maria até terá contado com a ajuda do antigo presidente do Deutsche Bank, que chegou a ser suspeito de violação do segredo de justiça.

Os números não enganavam: depois de décadas de reconstrução e consolidação do poder, o impérito dos Espírito Santo estava a um passo de cair num precipício. Mas, antes da queda, o clã Ricciardi conseguiu salvar algum património financeiro, através de uma série de movimentações que foram reconstituídas pelo Ministério Público num processo que correu paralelamente ao chamado "caso BES". No final, tudo foi arquivado por falta de prova suficiente.

Vamos ao início da história: ao mesmo tempo que decidiu pela resolução do BES, que chegou ao final de julho de 2014 com prejuízos na ordem dos 3,5 mil milhões de euros, o Banco de Portugal determinou ainda uma espécie de congelamento das contas bancárias e outros produtos financeiros de "pessoas especialmente relacionadas" com o banco falido, sujeito a a sua movimentação a uma autorização do regulador.

A primeira tentativa para movimentar dinheiro ocorreu logo a 2 de julho de 2014, com Filomena Ricciardi, irmã do banqueiro José Maria Ricciardi, a ordenar a transferência de 1,2 milhões de dólares (938 mil euros à época) domiciliados no BES para uma conta aberta no Barclays do Estoril (o grupo inglês, entretanto, vendeu a sua operação em Portugal ao Bankinter). Quando a medida de resolução do Banco de Portugal foi anunciada, a 3 de agosto, Filomena ordenou a transferência do montante para uma outra conta no mesmo banco, mas de um amigo: Francisco Sousa e Mendonça. "Em alternativa, solicitou que tal valor lhe fosse entregue em numerário ou que fosse transferido para a conta de uma amiga, Maria Casal Ribeiro Bravo". Tal só não aconteceu, porque o banco, no dia seguinte, e já depois de ser publicamente conhecida a medida de resolução, alertou o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que suspendeu a operação.

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