Entrevista
Covid-19

"Fechamos escolas, e depois? Se continuarem, vão ter de fechar os supermercados"

Rita Bertrand 21 de janeiro

Confederação Nacional das Associações de Pais propõe antecipação das férias e culpa a irresponsabilidade dos comportamentos individuais pelo fecho iminente das escolas.

Em entrevista à SÁBADO, Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, alerta para os problemas sociais que o encerramento das escolas irá agravar e apresenta soluções para os mitigar neste ano letivo atípico, não poupando nas críticas aos portugueses, que não têm aderido às medidas restritivas como deviam.

Tem defendido que as escolas não deviam fechar. Face aos novos números, a sua opinião mudou?
A minha opinião é a mesma. O que sempre disse é que devíamos evitar ao máximo o encerramento das escolas, pela importância que têm e porque isso agravará as desigualdades sociais. Infelizmente criou-se uma onda que defende o contrário.

O que o leva a manter a opinião?
Tenho ouvido muitos especialistas e nenhum defende que é das escolas que vêm os contágios. O que alguns dizem é que, como a escola provoca mobilidade e as pessoas não respeitam os comportamentos que devem assumir, o encerramento será um contributo para diminuir esta mobilidade e consequentemente baixar o número de casos. Não será assim tanto, porque vejo muita mobilidade sem ser para as escolas, mas seguramente, fechando as escolas, alguma coisa irá diminuir – veremos se é com a velocidade que se espera. Mas o problema é não ter havido a responsabilidade individual que devia: vamos, por isso, com um novo encerramento, prejudicar mais uma vez, e agravar os danos que já existem, nas crianças e jovens.

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