O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, com várias estradas cortadas ou condicionadas devido a submersão e aluimentos de terra.
O caudal do rio Tejo voltou a subir durante a noite em Almourol, ultrapassando os 6.000 m3/s, e poderá aproximar-se esta quinta-feira dos 7.000, mantendo-se o alerta vermelho e a exigência de máxima atenção nas próximas 48 horas.
Estrada inundada pelo Rio Tejo JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA_EPA
"Os caudais foram aumentando durante a noite e neste momento o total que está a ser descarregado pelas três barragens a montante da estação de Almourol é de 6.500 metros cúbicos por segundo (m3/s) e, neste momento, no Almourol estão a passar qualquer coisa como 6.200 metros cúbicos por segundo", disse à Lusa, às 09h00, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.
"É expectável que continue aqui a subir um pouco, não para os números que tivemos na passada semana, mas números muito aproximados desse dia", acrescentou, tendo apontado a chuva persistente e as barragens, em Portugal e Espanha, "muito carregadas", como fatores de causa.
Às 07h00, a estação hidrométrica de Almourol registava um caudal de 6.114,45 m3/s, acima dos 4.836,61 m3/s medidos à mesma hora da manhã de quarta-feira, refletindo o aumento verificado nas últimas horas.
De acordo com a informação operacional disponibilizada durante a manhã, as descargas nas barragens a montante ascendiam a 1.125 m3/s em Castelo de Bode, 496 m3/s em Pracana e 4.786 m3/s em Fratel, num total de 6.407 m3/s, valores que ainda não estavam integralmente refletidos na medição em Almourol devido ao desfasamento temporal da propagação da água no rio.
O valor máximo registado nesta cheia ocorreu no dia 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s.
Embora as autoridades não antecipem que esse pico seja igualado, admitem que os valores possam ficar próximos dos máximos registados naquele dia.
Também à Lusa, o presidente da Câmara de Abrantes e responsável distrital da Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, afirmou que "a situação é de preocupação, os níveis do rio estão muito elevados e as ribeiras estão muito cheias, os terrenos estão muito inundados".
"A perspetiva é que as próximas 48 horas vão ser ainda muito difíceis e a requerer a máxima atenção, até pela chuva que se vai manter", acrescentou, alertando que os caudais deverão manter-se muito elevados, com reflexos na Lezíria do Tejo, já bastante alagada.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, com várias estradas cortadas ou condicionadas devido a submersão e aluimentos de terra, numa altura em que os solos continuam saturados pela precipitação persistente.
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