O nível de máxima cheia da Aguieira é de 126 metros, altura a partir da qual aquela albufeira não consegue receber mais água e tem de a libertar, por poder pôr em causa a segurança da própria barragem.
A bacia do Mondego era, às 08h00, a única do continente em situação de risco, com o volume de armazenamento da barragem da Aguieira acima dos 99%, perto do limite de segurança daquela infraestrutura.
Barragem da AguieiraRicardo Almeida/Correio da Manhã
Segundo dados do portal InfoÁgua, o volume de armazenamento da Aguieira veio a subir consistentemente desde a manhã de quarta-feira, altura em que estava nos 72%, atingindo o seu valor máximo desde o início das inundações no Baixo Mondego, pelas 08h00 desta quinta-feira, com 99,04%, a uma cota de 124,5 metros.
O nível de máxima cheia da Aguieira é de 126 metros, altura a partir da qual aquela albufeira não consegue receber mais água e tem de a libertar, por poder pôr em causa a segurança da própria barragem.
À mesma hora, o caudal que saía da barragem (efluente) estava nos 930 metros cúbicos por segundo (m3/s), ligeiramente inferior aos 958 m3/s registados durante a madrugada. O caudal afluente, por sua vez, era ligeiramente superior, com 1.054 m3/s - a Aguieira estava a receber mais água do que aquela que largava – embora o volume de afluência venha a diminuir desde as 21h00 de quarta-feira, quando ultrapassou os 1.750 m3/s.
Na bacia do Mondego, continuava em situação de risco (nível vermelho, o mais grave) a ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, com 4,23 metros. Em situação de alerta (nível amarelo) mantinham-se a ponte da Conraria, no rio Ceira (que recebe água do rio Dueça antes de entrar no Mondego), com um caudal superior aos 435 m3/s, e a ponte do Cabouco, mais a montante no mesmo rio, com um caudal acima dos 206 m3/s.
À mesma hora, o caudal na Ponte-Açude de Coimbra situava-se nos 1.982 m3/s, abaixo dos 2.105 m3/s do final da tarde de quarta-feira – quando a margem direita do Mondego cedeu junto a Casais, Coimbra, levando, nessa noite, a um aluimento de terras que destruiu parte do piso da autoestrada 1(A1) e consequente encerramento daquela via.
Na segunda-feira, a agência Lusa pediu à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e ao ministério do Ambiente e Energia vários dados e esclarecimentos sobre o sistema hidráulico do Mondego e, especificamente, a barragem da Aguieira, mas, até ao momento, não obteve resposta.
Fonte oficial da APA manifestou apenas, na terça-feira, que aquela autoridade ambiental estava a “envidar esforços” para providenciar as respostas.
A Lusa contactou ainda, pelas 08.40 de hoje, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, no sentido de esclarecer a situação da barragem da Aguieira, mas, àquela hora, não havia ainda ninguém disponível para prestar declarações.
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