Julgamento de 'Rei Ghob' prosseguiu com audição de alegadas vítimas

Lusa 29 de maio de 2017
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As sessões deste julgamento decorrem no tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte

O julgamento de Francisco Leitão, conhecido como "Rei Ghob", prosseguiu hoje no tribunal de Loures com a inquirição de três alegadas vítimas e de familiares, disse à agência Lusa fonte judicial. As sessões deste julgamento decorrem no tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte, em Loures, à porta fechado por envolver menores de idade.

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De acordo com a acusação do Ministério Público, Francisco Leitão está a ser julgado por 542 crimes de violação, seis de pornografia de menores e ainda um crime de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e devassa da vida privada.

Os crimes remontam a factos ocorridos entre 2009 e 19 de Julho de 2010, data em que foi detido pela Polícia Judiciária por ser o principal suspeito do homicídio de três jovens, crimes pelos quais, em 2012, foi condenado a 25 anos de prisão.

Durante o dia de hoje decorreu a segunda sessão deste julgamento, durante a qual o colectivo de juízes inquiriu três alegadas vítimas de Francisco Leitão e três familiares, segundo adiantou à agência Lusa fonte judicial.

A mesma fonte acrescentou que na próxima sessão, agendada para 12 de Junho, serão ouvidos as últimas quatro alegadas vítimas do "Rei Ghob".

Francisco Leitão, sucateiro de profissão, convivia com vários jovens, na altura com idades entre os 14 e os 17 anos, fazendo-se passar pelo amigo que os levava a passear, pagava jantares ou bebidas e oferecia-lhes telemóveis.

Dizia ter poderes sobrenaturais e quando ganhava a sua confiança e sabia que estariam convictos dos seus poderes, levava os jovens para a sua casa, na Carqueja, Lourinhã, onde os amedrontava incorporando "entidades" sobrenaturais ou dizendo que vinha a mando delas informá-los de que eles ou seus familiares corriam perigo de morte.

Para evitar as consequências, teriam de se sujeitar a "injecções de energia", que, como descreve a acusação, seriam transmitidas do corpo do arguido para o corpo da vítima sob a forma de relações sexuais.

As queixas chegaram ao MP ainda em 2009, mas o inquérito veio a ser arquivado. Contudo, o processo foi reaberto na sequência de buscas domiciliárias da PJ e de novas denúncias no período em que o arguido esteve a ser investigado pela morte de três jovens.
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