Juiz diz que não há provas de terrorismo

Juiz diz que não há provas de terrorismo
Nuno Tiago Pinto 22 de junho de 2018

Ivo Rosa considerou que não há provas que liguem Abdesselam Tazi ao Estado Islâmico. Ministério Público saiu do Tribunal Central de Instrução Criminal com uma goleada.

Abdesselam Tazi entrou na sala de audiências do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, às 14h24m. Algemado, a sua figura de aspecto frágil, com roupas demasiado largas para o seu tamanho, contrastava com o físico imponente do elemento do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional que seguia a seu lado, vestido de negro, com colete à prova de bala, arma e bastão à cintura.

Nas mãos, o marroquino, de 63 anos, levava nas mãos uma pasta de papel com documentos. Sentou-se no topo do conjunto de mesas em forma de um, mesmo em frente à secretária de Ivo Rosa, o juiz de instrução criminal que estava prestes a decidir o seu futuro. Naquele momento estava acusado de vários crimes, incluindo oito relacionados com terrorismo: adesão a organização terrorista internacional falsificação com vista ao terrorismo, recrutamento para terrorismo, financiamento do terrorismo, adesão a organização terrorista internacional e uso de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo.

Momentos antes, o advogado de defesa, Lopes Guerreiro mostrava-se relativamente optimista quanto ao desfecho do caso. "Uns 50% de hipótese", dizia. No requerimento de abertura de instrução – o momento de comprovação judicial da decisão de acusar ou arquivar o inquérito –, bem como durante o debate instrutório, tinha pedido a nulidade da acusação e rejeitava qualquer ligação do seu cliente ao terrorismo internacional, admitindo apenas a falsificação de documentos e uso de cartões de crédito falsos. Já os procuradores do Departamento Central de investigação e Acção Penal, João Melo e Vítor Magalhães, saíram do elevador que os levou ao quarto piso do antigo edifício da Polícia Judiciária na expectativa de que todos os factos da acusação fossem confirmados pelo juiz de instrução criminal. Pelo menos, foi isso que argumentaram no debate instrutório.

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