José Sócrates: "A tortura tem um problema que é a eficácia"

Alexandra Pedro 24 de novembro de 2017

Ex-primeiro-ministro falou sobre a tortura - tema da sua última tese - e sobre a política adoptada pelos EUA. "A facilidade que os drones permitiam de eliminar pessoas à distância, sem baixas do 'nosso lado', contribuiu em muito para a escolha desta política de guerra", disse.

As obras de José Sócrates foram o foco da entrevista do ex-primeiro-ministro ao jornal i. A tortura - tema da sua última tese -, as políticas adoptadas pelos EUA (utilização de drones) e ainda o poder do Estado foram alguns dos temas abordados pelo antigo governante. Sócrates recusou-se a falar do processo Operação Marquês, onde é acusado de 31 crimes

"Antes de escrever a minha tese mudei de tema uma duas três vezes e lembro-me do momento em que me decidi por este tema. Foi numa aula em que se falou disso, e eu saí dessa aula com vontade de comprar todos os livros sobre o assunto. Um livro que me determinou foi este livrinho [mostra um pequeno livro com o título Par-delà le crime et le châtiment - Essai pour surmonter l'insurmontable]. É de um autor de origem austríaca que saiu do seu país durante o Anschluss [anexação da Áustria pela Alemanha nazi]. (...) Foi preso. Foi torturado. Esteve em Auschwitz. Sobreviveu. Foi viver para França. Mudou de nome para Jean Améry e nunca mais escreveu em alemão", revelou José Sócrates. 

Ainda sobre a tortura, questionado sobre se os fins justificam os meios, o ex-primeiro-ministro diz que se tornou um "deontologista" nesta questão, defendendo a "doutrina kantiana: não é possível utilizar as pessoas como meios para atingir determinados fins". "Não é possível fazê-lo em nenhum circunstância", acrescentou. 

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