Iniciativa Liberal descontente com o lugar atribuído no Parlamento

Lusa 16 de outubro de 2019
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O deputado eleito da Iniciativa Liberal, Cotrim de Figueiredo, revelou que se queria sentar "o mais longe dos extremos possível" no plenário da Assembleia da República, ou seja, sentando-se a meio do hemiciclo.

A Iniciativa Liberal criticou que a conferência de líderes parlamentares tenha "ignorado uma vontade demonstrada publicamente" sobre o lugar a atribuir ao deputado eleito no hemiciclo, uma decisão tomada "sobre deputados que não estão presentes". A conferência de líderes decidiu hoje que a deputada do Livre vai sentar-se entre PCP e PS, o deputado da Iniciativa Liberal entre PSD e CDS-PP e o deputado do Chega o mais à direita, todos na segunda fila, atribuindo assim os lugares às três forças estreantes no parlamento na primeira sessão plenária da XIV Legislatura.

Cotrim Figueiredo Pinto Guimarães
Cotrim Figueiredo Pinto Guimarães EPA/MIGUEL A. LOPES
Numa posição escrita enviada à agência Lusa, o partido Iniciativa Liberal considera que "as conclusões da conferência de líderes demonstram uma vez mais o sentimento de propriedade que alguns têm da democracia". "Tomam decisões sobre deputados que não estão presentes e, neste caso, até ignorando uma vontade demonstrada publicamente. Voltaremos, assim que os trabalhos começarem, a demonstrar a nossa vontade de estar o mais distante dos extremos", critica.

Segundo a Iniciativa Liberal, "o mundo evoluiu, mas alguns continuam presos a estereótipos da revolução francesa", numa referência à divisão entre esquerda e direita. "Mas não faremos disto um impedimento para a afirmação das políticas liberais, que serão bem mais afirmadas em propostas e intervenções, do que um lugar específico num hemiciclo que, tal como a política portuguesa, precisa de se renovar", garante.

Em entrevista à agência Lusa divulgada no passado fim-de-semana, o deputado eleito da Iniciativa Liberal, Cotrim de Figueiredo, revelou que se queria sentar "o mais longe dos extremos possível" no plenário da Assembleia da República, ou seja, sentando-se a meio do hemiciclo, referindo que o seu partido, fundado em 2017, tem um "agnosticismo" relativamente à divisão esquerda-direita, que remonta à Revolução Francesa.

"Gostaríamos de estar algures numa segunda dimensão, porque não nos revemos de todo nesta geometria, mas o hemiciclo é o que é, não será por nós que se vai fazer obras, portanto, tudo o que posso dizer é que vamos querer estar o mais longe dos extremos possível", declarou então, confirmando que "o meio é o que está mais longe". Na legislatura que agora termina, também o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) recusou a divisão esquerda-direita e escolheu sentar-se ao centro do hemiciclo.
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