Guarda partilhada dos filhos: sim ou não?

Guarda partilhada dos filhos: sim ou não?
Raquel Lito 19 de junho de 2019

Há crianças que vivem alternadamente em casa dos pais, mas o regime é de excepção. Três especialistas explicam as virtudes e defeitos do modelo

Semana sim, semana não, a menina de 6 anos fica com o pai. Nestes intervalos de tempo, a mãe convive com as amigas, se quiser trabalha até mais tarde e, feito o balanço, agradece a mudança ao juiz Joaquim Manuel Silva: "Sabe Sr. Dr., estou tranquila." A filha também apresenta progressos, tanto no rendimento escolar como a nível emocional: já não teme o avô materno, nem os colegas, nem professores, nem homens em geral. Isto porque deixou de ficar exclusivamente à guarda da mãe. 

Neste e em tantos outros casos, o magistrado do Juízo de Família e Menores de Mafra (Comarca de Lisboa Oeste) opta pela residência alternada para os filhos de pais separados. Pelas estimativas do próprio, fixou este modelo em cerca de 50% dos processos que lhe chegaram (de setembro de 2017 até à data). Mas voltemos ao caso inicial: após o divórcio dos progenitores, a menina em questão – à época tinha 1 ano – ficou a viver com a mãe. O pai raramente conseguia cumprir as visitas quinzenais, a menor ressentia-se com as ausências e temia a figura masculina.

Assim se manteve até aos 3 anos, altura em que o juiz decidiu fixar outro regime – teoricamente mais igualitário. Na prática, a mudança trouxe um sentido de dever ao pai: desde então, passou a cumprir com todas as responsabilidades parentais. "Sempre que há esta possibilidade, é preferível. A ausência do pai ou da mãe provoca no cérebro humano a mesma emoção negativa de um murro no estômago. Segundo os entendidos, gera na criança a síndrome de rejeição", explica à SÁBADO o juiz Joaquim Manuel Silva.

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