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Greve: deficientes motores deixados em terra por maquinistas

04 de junho de 2018 às 13:49
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O Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante diz que clientes com deficiência motora foram deixados em terra.

O Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante (SFRCI) estimou, esta segunda-feira, uma adesão de 85% à greve nos comboios em todo o país, denunciando situações "ilegais" como maquinistas a substituir revisores e clientes com deficiência motora deixados em terra.

Fazendo um balanço à agência Lusa perto das 12h30 horas, o presidente do SFRCI, Luís Bravo, disse que "a adesão é total, havendo apenas pressão sobre alguns maquinistas para vir substituir os revisores em greve", mas como "a maior parte deles, felizmente, não aceitou", a taxa de adesão ronda os 85% em todo o país.

Luís Bravo denunciou também ilegalidades: "O comboio alfa (pendular) das 12 horas saiu com um maquinista como agente de acompanhamento e informado de que havia três clientes em cadeira de rodas na gare para embarcar, (os funcionários) saíram com o comboio e deixaram esses clientes em terra".

"Era o maquinista titular do comboio e um a substituir o revisor em greve e estava a fazê-lo de forma ilegal, (além de que) não cumpriu com as funções do revisor", reforçou o sindicalista, vincando que a situação "é lastimável".

A agência Lusa tentou contactar a CP sobre esta situação, mas até ao momento não recebeu qualquer esclarecimento.

Quanto à adesão à paralisação, Luís Bravo indicou que "há uns quantos" funcionários a trabalhar, "mas serão muito poucos". "Na linha de Sintra, só andaram três comboios, na linha de Cascais não andou nenhum comboio (...) e só saiu um comboio de longo curso de Lisboa", adiantou o responsável.

Os trabalhadores ferroviários da CP, Medway e Takargo estão hoje em greve contra a possibilidade de circulação de comboios com um único agente.

Os sindicatos consideram que "a circulação de comboios só com um agente põe em causa a segurança ferroviária - trabalhadores, utentes e mercadorias", e defendem, por isso, que "é preciso que não subsistam dúvidas no Regulamento Geral de Segurança (RGS)".

Os ferroviários rejeitam alterações ao RGS com o objectivo de reduzir custos operacionais e consideram que a redacção do Regulamento Geral de Segurança, em discussão nos últimos meses, deixa em aberto a possibilidade de os operadores decidirem se colocam um ou dois agentes nos comboios.

Os sindicatos subscritores do pré-aviso de greve prevêem que a paralisação tenha "um grande impacto na circulação de comboios" e a CP admite que deverão ocorrer "fortes perturbações na circulação"

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