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Governo vai pagar entre 300 e 360 euros por hectare queimado por fogo controlado

Lusa 19:54
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O objetivo é descontinuar áreas de risco e, ao mesmo tempo, renovar pastos e também garantir que se diminui a carga combustível para quando chegar a época sensível, já termos uma área superior de menor risco.

O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, disse esta sexta-feira à agência Lusa que, este ano, o Governo pagará entre 300 e 360 euros por cada hectare ardido por fogo controlado, feito por técnicos.

Fogo controlado
Fogo controlado Nuno André Ferreira

“Vamos lançar ainda este mês um apoio para o fogo controlado, queimas prescritas, com as regras de segurança. Por área feita, cumprindo as regras, as boas práticas, e por isso tem de haver um técnico especializado, pagamos em função da área executada, porque há despesas associadas”, afirmou.

O Governo “vai pagar por hectare, na ordem dos 300 a 360 euros por hectare, depende das condições”, estes “são os valores de referência” e “são apoios novos, porque até aqui não existiam” e “é um incentivo, mas, sobretudo, é uma segurança ajudar às despesas de quem já usava este tipo de ação”, adiantou.

Assim, “quanto mais área for executada, mais serão os recursos públicos” a ser colocados “ao dispor das juntas de freguesia, câmaras municipais, corporações de bombeiros, comunidades intermunicipais e organizações de produtores florestais”.

“O objetivo é descontinuar áreas de risco e, ao mesmo tempo, renovar pastos e também garantir que se diminui a carga combustível para quando chegar a época sensível, já termos uma área superior de menor risco”, realçou.

Segundo Rui Ladeira, nos últimos anos, desde 2018, “a média tem sido de 2.491 hectares de área de queima, de fogo controlado e de uso do fogo” e o Governo colocou “uma fasquia mais elevada” para este ano civil, o de “dobrar, tentar os cinco mil hectares” de área queimada “só por técnicos especializados”.

O governante falava à agência Lusa, hoje, em Tondela, à margem de uma visita para verificar o trabalho que está a ser realizado com os tratores agrícolas trituradores e que resultam do apoio do Governo para as comunidades intermunicipais (CIM), entidades florestais e municípios, um total de 50 milhões de euros (ME) de investimento para o país, num total de 256 entregues até junho, além de outros tipos de equipamentos.

Um equipamento “muito bem” acolhido pelo Município de Tondela, no distrito de Viseu, quer pelos autarcas das juntas de freguesia, quer pela presidente da Câmara, Carla Antunes Borges, que elogiou o equipamento.

“Este ano, para comemorar o Dia Mundial da Árvore, em vez de plantarmos árvores, quisemos fazer diferente e defender a floresta, as pessoas e bens contra os incêndios e, para isso, o trator é uma grande ajuda que permite aumentar a área limpa”, sublinhou.

Carla Antunes Borges disse que, no ano passado, o município “conseguiu gerir o combustível em cerca de 165 hectares e, com este trator, estima-se que possa haver a gestão em 190 hectares” de terreno.

O governante anunciou ainda que, em março, vai ser aberto um programa para que organizações de baldios, por exemplo, se possam candidatar para “serem apoiados na organização, gestão e intervir nas áreas, não só para reduzir o risco de incêndio, mas também potenciar o arvoredo que lá existe e precisa de gestão”.

Outra medida passa por “poder transformar e reconverter povoamentos em sobre aproveitamentos” e que é “designado por sucata”, revelou Rui Ladeira.

Em áreas de eucaliptal que está em terceira geração e que precisa de ser replantado ou instalado, os proprietários poderão ter a oportunidade de transformar essa área, mas “também podem transformar o eucaliptal noutra espécie”, exemplificou.  

“São dois avisos que vão ser lançados ainda este mês de março, em 30 ME”, assegurou o governante que disse que, “a breve prazo, vai ser lançado outro aviso de 30 ME para o pastoreio, para redução de combustíveis”.

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