Uma das vítimas mortais será "do sexo masculino" e foi encontrada debaixo dos escombros.
Pelo menos seis portugueses e luso-descendentes morreram na sequência dos sismos que se registaram durante a noite de quarta-feira na Venezuela, revelou fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e 56 portugueses estão desaparecidos, confirmou à agência de notícias Lusa o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Prédio desaba após terremoto em Caracas, VenezuelaFoto AP/Adrian Naranjo
Anteriormente, o presidente do Governo Regional da Madeira já havia avançado, em declarações aos jornalistas, que pelo menos "duas lusodescendentes perderam a vida" neste incidente e, segundo Miguel Albuquerque, ambas tinham ligação à Madeira.
A informação contradizia, contudo, as que eram avançadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros que esta quinta-feira, através da rede social X, confirmou "a primeira morte de um cidadão português". Segundo a tutela, esta vítima era "do sexo masculino, foi retirada dos escombros com vida, mas acabou por falecer a caminho do hospital".
Na mesma publicação, o Governo português aproveitou para apresentar as "sentidas condolências à família" e "solidariedade às autoridades e ao povo venezuelano".
O MNE confirma a primeira morte de um cidadão português na sequência dos sismos na Venezuela.
A vítima, do sexo masculino, foi retirada dos escombros com vida, mas acabou por falecer a caminho do hospital.
Neste momento de dor, Portugal apresenta sentidas condolências à família…
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) June 25, 2026
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português já tinha também informado que cinco portugueses, quatro dos quais da mesma família, estavam desaparecidos em La Guaira, na Venezuela. Na altura, ainda não havia qualquer conhecimento de vítimas mortais portuguesas neste contexto, mas o ministério admitiu que poderão existir muitas situações de portugueses e lusodescendentes afetados, dada a dimensão da comunidade portuguesa no país.
Dois sismos de magnitude 7,5 e 7,2 na escala de Richter foram sentidos na noite de quarta-feira na Venezuela, com 32 segundos de intervalo. O cenário provocou a morte de pelo menos 188 pessoas e 1.520 feridos, segundo os mais recentes dados. No entanto, com o passar do tempo é expectável que o número de vítimas ascenda aos milhares. O Serviço Geológico dos Estados Unidos aponta até mesmo para mais de 10 mil mortos na sequência deste incidente.
Em desenvolvimento
Sismo duplo abala a Venezuela: 32 mortos e mais de 700 feridos
Dois abalos de magnitude 7,2 e 7,5 a apenas 39 segundos de distância sacudiram o país e foram sentidos a milhares de quilómetros, da Colômbia ao Brasil.
Epicentro · Costa norte da Venezuela
Profundidade · 10 km
Estado de emergência · Decretado por Delcy Rodríguez
32Mortos confirmadosBalanço oficial
700+FeridosHospitais sobrelotados
10kmProfundidadeSismo superficial
39sEntre os 2 abalosSismo duplo
Magnitude
7,2
1.º abaloEscala de Richter
+ 39s
Magnitude
7,5
2.º abaloO mais forte desde 1900
T = 0 s
Primeiro abalo de magnitude 7,2 atinge a costa norte da Venezuela.
+ 39 s
Segundo sismo, de magnitude 7,5 — o mais violento desde 1900 — sacode Caracas.
Minutos depois
Tremor sentido em Bogotá, Manaus e Trindade, a milhares de quilómetros do epicentro.
Primeira hora
Encerramento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar dificulta a chegada de ajuda externa.
Madrugada
A presidente interina Delcy Rodríguez decreta estado de emergência nacional.
Manhã seguinte
Balanço oficial: 32 mortos e mais de 700 feridos. USGS emite alerta vermelho.
Caracas (epicentro)~50 km
Bogotá, Colômbia~1.000 km
Manaus, Brasil~2.300 km
Port of Spain, Trindade e Tobago~600 km
A propagação a longa distância explica-se pela elevada magnitude (7,5) e pela baixa profundidade (10 km): ondas sísmicas superficiais viajam mais longe.
O que é o PAGER?
Modelo informático do Serviço Geológico dos EUA (USGS) que cruza magnitude, densidade populacional e qualidade construtiva para estimar vítimas e perdas em minutos.
Porquê 32 vs. 10 mil?
O balanço oficial conta apenas vítimas já recuperadas. O PAGER projeta o cenário provável com base em colapsos estruturais ainda por confirmar.
Caracas: alto risco
Edifícios antigos, encostas instáveis e bairros densos elevam a vulnerabilidade — fator decisivo na estimativa do USGS.
Resgate em risco
O encerramento do Aeroporto Simón Bolívar atrasa equipas internacionais e meios pesados de busca e salvamento.
Alerta Vermelho USGSProjeção de até 10 000 vítimas mortais e perdas económicas superiores a mil milhões de dólares.
1900San Narciso — abalo destrói parte da costa caribenha venezuelana.7,7
1967Caracas — mais de 280 mortos; trauma urbano marca uma geração.6,5
1997Cariaco — colapso de escolas provoca 73 mortos no estado de Sucre.7,0
2026Sismo duplo na costa norte — o mais forte registado desde 1900.7,5
Centenas de funcionários de equipas de resgate continuam a vasculhar nos escombros e as autoridades estão também a enviar equipas para outras partes do país. Imagens exibidas na televisão estatal venezuelana mostraram até três crianças cobertas de poeira, mas vivas, a serem retiradas dos escombros no estado de La Guaira - onde um grande número de prédios desabou.
Portugal entretanto já confirmou que vai enviar uma equipa de 50 pessoas para auxiliar nas operações de socorro.
Notícia atualizada às 22h31 com o número de portugueses mortos que subiu para seis
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