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Ex-ministro Nuno Crato defende currículo mais rigoroso e simplificação do acesso à carreira docente

Lusa 13:33
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Para combater a falta de profissionais no setor.

O antigo ministro da Educação Nuno Crato disse esta sexta-feira ser necessário melhorar o currículo nacional, tornando-o mais rigoroso e ambicioso, e defendeu a simplificação do acesso à função docente para combater a falta de profissionais no setor.

Nuno Crato, ex-ministro da Educação
Nuno Crato, ex-ministro da Educação João Cortesão

"O que há a fazer é voltar a ter um currículo bem definido, ambicioso, bem estruturado, e ter uma avaliação sequencial e frequente", afirmou, sustentando que Portugal obteve bons resultados no setor da educação até 2015, mas a partir daí as "coisas não correram tão bem quanto isso".

Nuno Crato, que foi ministro entre 2011-2015, no executivo liderado pelo social-democrata Pedro Passos Coelho, falava aos jornalistas no Funchal, no âmbito de uma conferência integrada nas comemorações dos 50 Anos de Autonomia', subordinada ao tema 'Educação'.

O antigo governante considerou que a autonomia das escolas e a avaliação rigorosa são fundamentais para o desenvolvimento do país, sublinhando que Portugal "subiu constantemente" no desempenho do setor até 2015, mas depois começou a cair.

"A minha interpretação é que a avaliação que era necessária e um currículo rigoroso, ambicioso, bem organizado, bem definido, foram duas coisas que faltaram", disse.

Nuno Crato defendeu, por outro lado, a simplificação do acesso à carreira docente para enfrentar a falta de professores, um problema que, na sua opinião, se tornou notório a partir de 2013.

"Podemos simplificar a formação complementar. Simplificar não significa reduzir, significa centrar no essencial de forma a atrair [profissionais] para o ensino", observou, reforçando que também são necessárias algumas medidas administrativas para "rentabilizar melhor os recursos existentes".

A conferência de hoje contou também com a presença de Marçal Grilo, que exerceu o cargo de ministro da Educação entre 1995 e 1999, no Governo liderado pelo socialista António Guterres, que alertou para a importância da formação de base face à atual complexidade, imprevisibilidade e fragmentação do mundo.

"O mais importante é dar aos jovens uma grande formação de base, que passa por três coisas: uma grande formação científica, desenvolvimento de atitudes e comportamentos adaptados à imprevisibilidade, e os valores, no sentido da ética, da solidariedade, do respeito pelos outros, do respeito pela verdade", afirmou.

Já o presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, disse que os seus executivos procuraram adaptar à região um sistema de ensino semelhante ao de Singapura, que, segundo disse, é considerado um dos melhores ao nível mundial.

"Tomámos medidas importantes como as turmas de recuperação, no sentido de diminuir as taxas de retenção, a introdução dos manuais digitais [do 5.º ao 12.º ano] e as salas do futuro [focadas nas novas tecnologias]", explicou.

Miguel Albuquerque, que chefia o governo madeirense desde 2015 e é também líder da estrutura regional do PSD, assegurou que estas medidas tiveram impacto positivo na qualidade do ensino e no sucesso escolar na região autónoma.

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