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Ex-diretor da PJ rebate críticas de Luís Neves: "Intervenção pública que fez obriga-me a quebrar o silêncio"

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Almeida Rodrigues lembra que o agora ministro da Administração Interna fazia parte da direção durante o seu mandato.

O antigo diretor nacional da Polícia Judiciária Almeida Rodrigues repudiou esta sexta-feira as críticas do ministro da Administração Interna sobre a falta de meios na PJ e lembrou que Luís Neves fazia parte da direção durante o seu mandato.

Almeida Rodrigues, antigo diretor nacional da PJ
Almeida Rodrigues, antigo diretor nacional da PJ CMTV

Numa carta a que a agência Lusa teve acesso, Almeida Rodrigues quebra um silêncio de oito anos, o tempo passado desde que terminou o seu mandato de 10 anos à frente da PJ - para responder às críticas de Luís Neves, feitas na quarta-feira em conferência de imprensa, sobre o estado em que encontrou a Polícia Judiciária.

O atual ministro da Administração Interna - que sucedeu a Almeida Rodrigues no cargo de diretor nacional - afirmou que quando chegou à direção nacional da PJ, em 2018, encontrou "uma instituição profundamente fragilizada", sem meios, pessoas ou instalações dignas, tendo enumerado vários investimentos e reformas feitos por si.

"A sua recente intervenção pública, em direto, obriga-me a quebrar esse silêncio, em defesa do meu bom nome e do prestígio da Polícia Judiciária", justifica Almeida Rodrigues.

O ex-diretor nacional sublinha que Luís Neves "não 'chegou' à direção da PJ apenas no momento em que assumiu funções como diretor nacional", lembrando que, durante todo o seu mandato de dez anos, o ministro foi diretor da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT), com comissões de serviço "sucessivamente renovadas" por sua proposta.

Segundo Almeida Rodrigues, Luís Neves "integrou a equipa diretiva da Polícia Judiciária, participou na gestão global da instituição e dirigiu diretamente a sua unidade", demonstrando "sempre total alinhamento com as decisões tomadas, sem registo de discordância".

"Não surgiu, pois, de forma abrupta na direção da instituição, o que torna difícil compreender a leitura que hoje faz de uma realidade que também ajudou a construir", considera.

Em defesa do seu mandato, o ex-dirigente destacou vários investimentos de relevo, "em plena crise financeira", nomeadamente a conclusão do novo edifício-sede da PJ em Lisboa, a requalificação do Departamento do Funchal, a criação da unidade em Évora e o início da reinstalação da Diretoria do Sul e do Departamento de Portimão.

Ao nível operacional e estrutural, Almeida Rodrigues recorda também a criação da Unidade Nacional de Combate à Cibercriminalidade e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), do Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA), a manutenção da dependência da Interpol e Europol na PJ, bem como o lançamento de vários concursos de promoção interna e de recrutamento externo de inspetores, peritos e pessoal de apoio.

Almeida Rodrigues indica ainda que no seu mandato "foram abertos e concluídos vários concursos internos para inspetores-chefe, coordenadores de investigação criminal e coordenadores superiores de investigação criminal, bem como concursos externos para o recrutamento de novos inspetores, peritos, seguranças e pessoal de apoio, permitindo reforçar, ainda que aquém do desejado, os recursos humanos da instituição e assegurar elevados níveis de resposta operacional".

Almeida Rodrigues conclui afirmando que exerceu o cargo com "sobriedade, rigor e isenção", sem nunca se envolver em "questões de natureza político-partidária", atribuindo os resultados alcançados ao trabalho dos profissionais da Polícia Judiciária.

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