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Luís Neves: "Nunca tive medo e nunca me escondi. Não era agora que o faria"

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Ministro da Administração Interna explica polémica do atrelado: "Não foi desviado qualquer bem, não foi beneficiado quem quer que fosse".

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, dirigiu-se ao País esta quinta-feira sobre as polémicas que o têm envolvido nas últimas semanas. Lamentou que tenham sido levantadas "gravíssimas suspeitas sobre a sua honra e dignidade" e garantiu que iria esclarecer todas as polémicas.

Luís Neves, ministro da Administração Interna
Luís Neves, ministro da Administração Interna Lusa

O atrelado

Começou por falar sobre o atrelado, afirmando que as “insinuações ultrapassaram todos os limites da decência”, associando o seu nome ao tráfico de droga e falando em abuso de poder. “A matéria do atrelado está a ser investigada no âmbito de um inquérito criminal. Irei colaborar como sempre”, prometeu, mas afirmou não ter desviado "qualquer bem, comprometido qualquer prova, beneficiado quem quer que fosse”.

Diz que concordou com a proposta de desviar o atrelado de um alto quadro que lhe merecia total confiança e que assume essa decisão. “É uma decisão minha e não dele. Não havia outra opção. Nas circunstâncias foi a decisão adequada e que eu voltaria hoje a tomar”, afirmou.

Luís Neves explicou aos jornalistas que, enquanto desempenhava funções de diretor nacional da Polícia Judiciária, "não havia outra opção" para guardar o atrelado e os bidões que continham produtos que serviam para a produção de droga, uma vez que foram pedidos 150 mil euros para a destruição dos produtos químicos, valor que a PJ não tinha para aquela ação. "Não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não há aqui nenhuma ligação ao tráfico de droga", acrescentou o ministro.

Obras de João Carvalho no monte alentejano

Sobre as obras no monte alentejano, o ministro afirma que "há quem tenha colocado a circular" um monte com uma vivenda que não lhe pertence. Esclarece que "as obras ocorreram apenas numa propriedade na primavera de 2024 e não em várias". Acrescenta que pediu 315 mil euros à banca e que as declarações podem ser consultadas e que não comprou nenhum terreno "a preço de saldo".

Quanto às madeiras provenientes da Infraestruturas de Portugal (IP), que Luís Neves utilizou para construir mobiliário para o monte alentejano, o ministro da Administração Interna diz que estas foram pagas à IP e que fez "no interior da propriedade o que milhões de portugueses fazem nas próprias casas".

Sobre a piscina declarada como tanque na sua propriedade, explica que inicialmente teria sido construída como um tanque mas que, posteriormente, foram feitas alterações ao mesmo. Adianta que já solicitou à Câmara Municipal de Odemira com "caráter de urgência para regularizar o que tiver de ser regularizado".

Ministro sente-se seguro

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que se sente apoiado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e que nunca pensou demitir-se na sequência das polémicas das últimas semanas.

"Sinto-me absolutamente apoiado pelo senhor primeiro-ministro e por todos os membros do Governo com quem tenho falado e interagido", afirmou, em conferência de imprensa, Luís Neves, sublinhando que nunca pensou em apresentar um pedido de demissão a Luís Montenegro na sequência das informações que têm vindo a público sobre as obras realizadas num terreno seu no Alentejo e do atrelado encontrado na propriedade do construtor que lhe fez as obras em Odemira.

O governante assegurou ainda que continuará a cumprir a missão de tutelar a área da Administração Interna, "para a qual está totalmente legitimado e empoderado".

"Tenho mais de 30 anos de serviço público, nunca trabalhei para interesses particulares. Trabalhei sempre e apenas para o Estado, para as pessoas, para o país. [...] Agi sempre na minha vida com total independência e sentido de dever. Nunca utilizei cargos públicos para beneficiar quem quer que fosse e rejeito qualquer insinuação nesse sentido", defendeu Luís Neves.