A deputada Isabel Mendes Lopes diz que a estabilidade política do país está nas mãos do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A líder parlamentar do Livre afirmou que estabilidade
política "não é não haver eleições", considerou que o país está instável
e pediu uma reação do Parlamento caso avance uma revisão constitucional
negociada com o Chega.
A deputada Isabel Mendes Lopes foi eleita pelo LivreANTÓNIO COTRIM/LUSA
Em declarações à Lusa, em antecipação do debate do estado
da nação da próxima quinta-feira, no Parlamento, Isabel Mendes Lopes
defendeu que a estabilidade política deve ser medida pelas condições de
vida das pessoas e pela previsibilidade das políticas públicas, e não
apenas pela duração da legislatura.
"Estabilidade política não é não haver eleições.
Estabilidade política é as pessoas terem estabilidade na sua vida (...).
O país está muito instável nesse aspeto e, inclusive, a polarização que
o Governo tem instigado vem trazer instabilidade à vida das pessoas. Os
discursos de ódio têm aumentado, os crimes de ódio têm aumentado. As
pessoas também têm a sua própria vida mais instável", considerou.
Para a deputada do Livre, a estabilidade política do país
está nas mãos do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e, perante isso, o
Governo tem optado por aliar-se no Parlamento a um "jogador altamente
batoteiro".
Isabel Mendes Lopes defendeu que, se o Governo quer
mostrar que está empenhado em assegurar estabilidade, deve "garantir que
não há uma revisão constitucional com a extrema-direita", adiantando
que esse será um dos temas abordados pelo Livre no debate do estado da
Nação.
"Se o PSD escolhe fazer uma revisão constitucional com
este parceiro, está claramente a escolher o lado que conflitua com
aquilo que foi o consenso em 1976. Fará uma revisão constitucional que
vai contra os princípios daquilo que os deputados constituintes quiseram
fazer. Se o PSD insistir nisto, está, no fundo, a continuar este
caminho de radicalização", afirmou, pedindo que, se isso acontecer, o
"Parlamento reaja".
Mendes Lopes considerou que rever a Constituição com o
Chega seria uma "falta de responsabilidade do PSD com o seu próprio
património", afirmando que não acredita que as figuras históricas e
atuais dos sociais-democratas se revejam nesse caminho.
A co-porta-voz do Livre acusou ainda o executivo de
"adotar as bandeiras do Chega", em vez de concentrar as suas políticas
na resposta aos problemas na habitação ou do custo de vida, por ver
nessas opções "uma boia para se manter à tona".
Na avaliação da situação do país, a deputada destacou a
crise da habitação, acusando o Governo de não enfrentar a especulação
imobiliária, e também a subida do custo de vida, pedindo mais apoios
para as famílias e recordando a proposta do Livre para devolver às
famílias de menores rendimentos o IVA no consumo.
A deputada referiu também o "caos nos exames" como
exemplo de uma "maneira de fazer política que é comum a todo o Governo":
"Uma grande prepotência, um grande desligamento da realidade e uma
grande falta de ouvir quem verdadeiramente está no terreno", atirou.
Além de travar uma revisão constitucional à direita,
Mendes Lopes definiu como prioridades do Livre para a próxima sessão
legislativa restringir a publicidade a jogos de azar, preparar o país
para fenómenos extremos, e uma revisão da lei laboral que aumente a
proteção dos trabalhadores.
A deputada apontou ainda como prioridade a promoção de
uma posição mais vocal de Portugal na defesa dos direitos humanos e do
direito internacional, criticando a postura do Governo perante a "onda
de autoritarismo que está a crescer por todo o mundo".
Estado da Nação: Livre vê país instável e pede reação a eventual revisão constitucional com Chega
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