Ensaio de António Barreto: A idade adulta da democracia portuguesa

António Barreto 05 de janeiro de 2019

Os perigos do populismo e da corrupção – que será o pior flagelo da sociedade e da política – no 45º ano do regime, vistos pelo sociólogo em exclusivo para a SÁBADO

Terá a democracia portuguesa chegado à idade adulta, "período da vida em que se atinge o auge do desenvolvimento"? À idade da maturidade, a que traz experiência e serenidade, "fase em que se atinge a plenitude das suas capacidades"? Como não estão estabelecidos limites técnicos quantitativos ou jurídicos, é difícil responder.

Há, todavia, alguns indicadores que nos permitem medir mais objetivamente. Na verdade, a Constituição da República, com mais de 42 anos, já ultrapassou a da ditadura, com 41. Mas a democracia, com 45 anos, ainda não viveu mais do que o Estado Novo, corporativo e autoritário, com 48. Com estes critérios, não é difícil admitir que a democracia portuguesa tenha chegado à maioridade. O problema é que a idade adulta não é só cronologia e matemática. Os traços de maturidade são indispensáveis. Ora, estes não são nítidos nem indiscutíveis.

Quando se critica o regime democrático português, o que se tem em mente é conhecido: em primeiro lugar, a pobreza e a desigualdade. Logo a seguir, o pouco crescimento e o menor investimento, assim como as muito falíveis justiça e segurança… Sem falar na tão deficiente educação. A lista é longa. E ainda não se incluiu a corrupção e a burocracia. Mas será justo culpar a democracia destas falhas? Creio que não.

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