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Emigrantes frustrados com as dificuldades de sempre no acesso ao voto para as eleições presidenciais

A legislação define que a escolha do Presidente da República pelos eleitores portugueses a residir no estrangeiro é feita presencialmente, no dia anterior ao marcado para a eleição e no próprio dia da eleição.

Emigrantes portugueses sentem-se frustrados por se manterem as dificuldades de acesso ao voto de que se queixam há anos, embora acreditem que a participação destes eleitores continuará a aumentar, segundo um movimento que os representa.

Emigrantes frustrados com as dificuldades de sempre no acesso ao voto para as eleições presidenciais
Emigrantes frustrados com as dificuldades de sempre no acesso ao voto para as eleições presidenciais EPA/MANUEL FERNANDO ARAUJO

Paulo Costa, presidente e fundador do movimento Também Somos Portugueses (TSP), disse à Lusa que muitos dos portugueses no estrangeiro sentem "uma grande frustração porque a Assembleia da República não tem feito modificações no sentido de simplificar as leis eleitorais".

E atribui esta inércia à falta de interesse, considerando que este desinteresse se deve ao número de votos.

"Todos os partidos fazem muito as suas contas eleitorais e sempre que se falam em alterações às leis eleitorais, a primeira coisa que os partidos políticos fazem é fazer as contas para saber se vão ganhar ou perder deputados com isso", disse.

Em relação à eleição para o Presidente da República, que se realiza no domingo, Paulo Costa diz que, ao contrário das legislativas, em que "um voto de um português no estrangeiro vale menos do que um voto de um português em Portugal", nesta eleição "todos os votos vão estar por igual".

A legislação define que a escolha do Presidente da República pelos eleitores portugueses a residir no estrangeiro é feita presencialmente, no dia anterior ao marcado para a eleição e no próprio dia da eleição.

Apesar do esclarecimento promovido pelo Governo português, são significativos os eleitores com dúvidas, alguns ainda a aguardar o boletim de voto para votar por via postal, como é possível no caso das eleições legislativas.

Por esta razão, Paulo Costa defende, e garante que isso mesmo o TSP vai propor à Assembleia da República, que os eleitores sejam contactados através de um email, com a informação sobre como votar, em cada ato eleitoral em Portugal.

"Nós somos contactados diretamente pelas Finanças e ninguém perguntou se queria ou não receber emails das Finanças", disse, acrescentando que esta medida poderia aumentar a participação eleitoral dos emigrantes portugueses.

Apesar das dificuldades, o TSP acredita que a participação dos emigrantes nestas eleições vai aumentar, tal como tem acontecido nos últimos atos eleitorais.

Nas últimas eleições presidenciais, em 2021, votaram 29.153 (1,88%) do tal de 1.549.380 de eleitores portugueses inscritos no estrangeiro.

No sufrágio anterior (2016), tinham votado 4,69% dos eleitores inscritos que, na altura e antes do recenseamento automático, eram 301.463.

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