Embaixador da Venezuela em Portugal recebeu sete milhões de Salgado

Uma Carta Rogatória, um interrogatório de um arguido e vários documentos ligam o diplomata Lucas Rincón ao esquema de corrupção entre o Banco Espírito Santo e a Venezuela. MNE não foi informado sobre as suspeitas

É preciso mergulhar bem fundo nos milhões de documentos do processo crime do Banco Espírito Santo para se perceber a ligação do embaixador Lucas Eduardo Rincón Romero ao esquema de corrupção de altos cargos da Venezuela. O plano, segundo o Ministério Público, foi implementado por Ricardo Salgado de forma a captar o dinheiro de várias entidades venezuelanas, como o Banco del Tesoro, a petrolífera PDVSA, a EDC e a Carbozulia. Como contrapartida, o antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) é suspeito de ter utilizado o chamado "saco azul", a ES Enterprises, para distribuir mais de 120 milhões de euros em luvas. O diplomata foi um dos beneficiários, mas o Ministério Público não referiu o seu nome, em julho de 2020, quando extraiu uma certidão na acusação do caso BES para continuar a investigar os casos de corrupção com a Venezuela.

Logo no início do das mais de quatro mil páginas do despacho de acusação contra Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Isabel de Almeida, e mais 22 arguidos, os procuradores referiram que as suspeitas relativas à Venezuela seriam investigadas em "inquérito autónomo" para apurar a "eventual prática de crimes de associação criminosa, corrupção com prejuízo no comércio internacional, corrupção no setor privado, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.

Porém, ao mesmo tempo que identificou vários suspeitos -  Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Isabel Almeida, António Soares, Pedro Pinto, Pedro Serra, Alexandre Cadosh, Michel Creton, João Martins Pereira, João Alexandre Silva, Francisco Machado da Cruz, Paulo Nacif, Paulo Murta, Humberto Coelho, Miguel Caetano de Freitas, Sofia Ribeiro, Domingos Macias, Nervis Villalobos, Rafael Reiter, Rita Gonzalez, Luís Carlos de Leon, Abraham Sierra, Roberto Rincón, César Rincón, Jean-Luc Scheneider, Michel Ostertag. Alan Toledo e Paulo Ferreira - O Ministério Público deixou de fora desta lista dois nomes que também constam da documentação: Lucas Rincón, embaixador da Venezuela em Portugal, e Margarita Mendola Sanchez, antiga procuradora-geral deste país, atual ministra conselheira na embaixada em Lisboa.

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