O arquiteto português defendeu que tem de se fazer habitação social e que o Estado tem de assumir a missão de construir casas, para responder aos problemas de falta de habitação e de acesso à habitação.
O arquiteto português Eduardo Souto de Moura disse esta terça-feira que trocava todos os prémios que já recebeu por "bons projetos de habitação" para responder "a uma realidade em que é preciso trabalhar".
Eduardo Souto de Moura é o segundo português a receber a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos (UIA)Paulo Duarte
"O mais importante de tudo é a realidade. E só a realidade nos leva ao trabalho e às soluções e ao que interessa. Nada de utopias", disse Eduardo Souto de Moura aos jornalistas em Barcelona, antes de entrar para a cerimónia na basílica da Sagrada Família, onde esta noite vai receber a máxima distinção da União Internacional de Arquitetos (UIA).
Souto de Moura acrescentou que "é preciso trabalhar nesta realidade que é emergente" e que, no caso dos arquitetos, "a coisa mais importante de todas é trabalhar na habitação, que é o que é preciso" atualmente.
"Portanto, eu fico muito contente com os prémios, mas eu trocava os prémios por saber de bons projetos de habitação que pudesse fazer e em que pudesse ajudar", acrescentou, depois de afirmar e sublinhar que a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos que vai receber esta terça-feira, numa cerimónia em que está também o Presidente da República, António José Seguro, é "um enorme reconhecimento".
O arquiteto português defendeu que tem de se fazer habitação social e que o Estado tem de assumir a missão de construir casas, para responder aos problemas de falta de habitação e de acesso à habitação.
Souto de Moura revelou que teve esta terça-feira um encontro com os secretários de Estado da Habitação de Portugal e de Espanha a quem propôs uma reunião com pessoas de várias áreas para debater esta questão e analisar soluções. Segundo o arquiteto, essa proposta já teve resposta positiva e haverá um encontro no Porto em breve.
"Existem todas as condições para se fazer casas. Há terreno, temos terreno. Há dinheiro. Há bons arquitetos. Se há coisa que Portugal tem, é futebolistas e arquitetos. E as casas não aparecem. O problema de organização, de logística, não se percebe. Portanto, é preciso quebrar este enguiço de fazer casas", afirmou.
Eduardo Souto de Moura, Prémio Pritzker (o "Nobel da arquitetura"), em 2011, é o segundo português a receber a Medalha de Ouro da UIA, depois de Álvaro Siza Vieira, também ele agraciado com o Pritzker, em 1992.
Criada em 1984 pela UIA, de caráter trienal, a medalha é classificada pela própria organização como "a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos, escolhida a partir de nomeações submetidas por instituições profissionais de todo o mundo".
Além desta cerimónia na Sagrada Família, o arquiteto português será homenageado, na quarta-feira, também em Barcelona e à margem do Congresso Mundial de Arquitetura, que está a decorrer na capital da Catalunha, com um programa conjunto da Ordem dos Arquitetos (OA) e da Casa da Arquitetura (CA), a que se juntou a Embaixada de Portugal em Espanha.
Pelas 16:00, uma conversa junta no Disseny Hub Barcelona os arquitetos Nuno Grande, Souto de Moura, Inês Lobo, Manuel Aires Mateus e Wilfried Wang, depois da abertura, a cargo de Avelino Oliveira, presidente da OA, Nuno Sampaio, diretor da CA, e Marta Vall-Llossera, presidente do Colégio Superior dos Arquitetos de Espanha.
No encerramento, estará a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa.
Mais tarde, no Museu MOCO, de arte moderna e contemporânea, há uma receção com uma instalação dedicada a Souto de Moura, intitulada "Ucronia", que parte de esquissos inéditos do arquiteto, dos anos 1970.
O Congresso Mundial de Arquitetura deste ano, de 28 de junho a 02 de julho, tem como ponto alto a atribuição da medalha de ouro da UIA a Souto de Moura, esta terça-feira, após candidatura submetida pela Ordem dos Arquitetos.
A cerimónia decorre na basílica da Sagrada Família, obra emblemática do arquiteto Antoni Gaudí, cujo centenário da morte se assinala este ano. Além da Sagrada Família, Gaudí é o criador de vários edifícios que são hoje parte da identidade da cidade de Barcelona.
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