Dezenas de milhares de portugueses passaram duas semanas sem eletricidade devido ao meu tempo. Há um ano um apagão deixou o País às escuras. O que se pode fazer para evitar estas situações?
A meio da manhã de 28 de abril do ano passado a Península Ibérica ficou às escuras. Na altura a E-Redes garantiu que a origem do apagão estava no país vizinho. Mas quase um ano depois uma sequência de várias tempestades e depressões deixou uma boa parte do País (principalmente na zona Centro) sem eletricidade. Duas semanas depois havia ainda mais de 30 mil famílias sem eletricidade. Eamonn Lannoye, da EPRI Europa, explica que infraesturutras nacionais não estão preparadas para fenómenos climáticos como estes e que precisam de uma atualização urgente.
Energia, eletricidade Jo Sins/Pexels
Lannoye, diretor-geral da EPRI Europa, uma das principais organizações independentes dedicada à investigação e desenvolvimento no setor da energia, diz à SÁBADO que é essencial redesenhar a rede nacional. "Ela tem mais de 50 anos e foi construída tendo em conta, principalmente, os incêndios que afetam Portugal. Mas a situação mudou muito nos últimos anos e, como vimos agora, a chuva e o vento são muito problemáticos para algumas zonas portuguesas", enquadra.
O representante da EPRI diz ainda que situações de perda de energia e de apagões como os que se seguiram ao mau tempo são comuns, mas o que não é aceitável é o tempo que demorou a ser resolvido. "Quando passam seis dias e as pessoas continuam sem ter energia é porque alguma coisa correu mesmo muito mal", defende. "É demasiado tempo e é um sinal de que algo tem de ser mudado e rápido antes que volte a acontecer", acrescenta.
Seria então necessário rever muita da infraestrutura elétrica do País. Mas o custo é elevado e pode implicar a perda de resistência a outros fatores. "Claro que as estruturas autais estão preparadas para tempestades, mas foram criadas de forma a serem mais resistentes a incêndios. Mas talvez seja preciso acrescentar-lhes resistência para tempestades porque elas vão continuar a afetar Portugal nos próximos anos", diz Lannoye.
O especialsita da EPRI reconhece que é difícil e que demora tempo construir redes de energia e que pode não parecer uma prioridade ("Até haver outra situação como a que viveram nas últimas semanas"). E apesar da rede ter sido atualizada nos últimos 60 anos várias vezes, continua a ser uma rede planeada por engenheiros que lidavam com situações diferentes. "Precisamos de engenheiros que façam agora o que os engenheiros europeus da década de 50 e 60 do século apssado fizeram: recolher dados, analizar e, acima de tudo, decidir", incentiva Lannoye. "E é preciso perceber que não há soluções mágicas, mas ficar parado não é opção."
Rede interligada ou autónoma
Segundo a E-Redes, em abril do ano passado Portugal ficou às escuras devido a um problema na rede espanhola. Compensa então isolar energeticamente Portugal? A pergunta não tem uma resposta definitiva.
"É verdade que se Portugal não tivesse uma rede em conjunto com Espanha teria sido mais rápido a recuperar e podia até nunca ter tido o apagão. Mas há também desvantagens, como os preços da energia são mais baixos e muitas vezes os problemas são mais fáceis de resolver quando funcionam em rede internacional", defende o representante da EPRI.
E acrescenta ainda que o apagão ibérico de abril do ano passado se tornou um caso de estudo pelo mundo fora. "Nós estamos a analisar a situação e outras organizações internacionais também", acrescenta.
A EPRI tem investigação na distribuição de energia, modernização da rede, descarbonização e tecnologias de uso final e colabora com parceiros em mais de 40 países e com mais de 1.000 empresas em todo o mundo. Atualmente, a EPRI Europe participa em 14 projetos financiados na Europa, em áreas como comunidades de energia, energia solar fotovoltaica, hidrogénio, hidroeletricidade ou armazenamento de energia.
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