Carnide, o único bastião comunista de Lisboa

Carnide, o único bastião comunista de Lisboa
Rita Pereira Carvalho 03 de outubro de 2021

É a única freguesia da capital que continua a ser liderada pela CDU. As memórias de um presidente barricado no posto dos correios e de outro que ajudou a carregar parquímetros arrancados do chão parecem estar ainda bem vivas. E o trabalho feito nos bairros sociais também ajudou na hora de decidir onde colocar a cruz no boletim de voto das últimas eleições.

Uma das noites do ano de 2017 ficou na memória de muitos residentes da freguesia de Carnide, em Lisboa. Mesmo no centro, ouviram-se barulhos que faziam lembrar pequenas explosões e, na manhã seguinte, ficou conhecida a sua origem: um grupo de moradores revoltou-se e decidiu arrancar os 12 parquímetros que a EMEL tinha colocado naquela freguesia. E a junta liderada por Fábio Sousa cedeu uma carrinha para transportar os parquímetros até às instalações da Câmara Municipal de Lisboa. A história acabou em tribunal e Fábio Sousa foi condenado a pagar uma multa de 1.100 euros à EMEL. Para ajudar, vários cafés arranjaram um mealheiro cujos fundos seriam para ajudar o presidente da junta. 

Esta história aconteceu em ano de autárquicas e parece que a história marcou quem foi a votos quatro anos depois. Alguns moradores ainda falam sobre isso, mesmo entre conversas sobre o que aconteceu no último domingo: "A verdade é que em Carnide ainda há muito sítio onde se estaciona sem pagar, ou zonas só para residentes, e isso não se encontra noutros sítios". 

No último fim de semana, a CDU voltou a conquistar Carnide, a única freguesia comunista de Lisboa. Fábio Sousa foi reeleito com 45,53% dos votos, uma percentagem que subiu em relação às autárquicas de 2017, ano em que conseguiu 44,82% dos resultados. 

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