Câmara do Porto condena de forma "veemente" agressão a jovem colombiana

Lusa 03 de julho de 2018
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Nicol Quinayas, de 21 anos, alega ter sido violentamente agredida e insultada na madrugada de 24 de Junho, no Porto, por um segurança da empresa 2045 a exercer funções de fiscalização para a empresa STCP.

A Câmara do Porto condenou esta terça-feira de forma "veemente" a agressão a uma jovem por um segurança que trabalhava para a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), classificando o sucedido como um "intolerável ato de violência racista".

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Greve da STCP com adesão total entre os motoristas Sábado
Numa moção apresentada pelo PS, aprovada por unanimidade em reunião pública do executivo municipal, a autarquia manifesta ainda solidariedade à jovem pela "covarde agressão" de que foi vítima e alerta o Governo e os diferentes partidos representados na Assembleia da República para a revisão "urgente" da lei que regula as empresas de segurança privada, de modo a assegurar que o recrutamento, formação dos seus profissionais e acompanhamento da sua acção correspondem aos padrões éticos adequados a um estado de Direito.

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana, alega ter sido violentamente agredida e insultada na madrugada de 24 de Junho, no Porto, por um segurança da empresa 2045 a exercer funções de fiscalização para a empresa STCP.

O Ministério Público abriu já um inquérito para investigar o caso, revelou na semana passada a Procuradoria-Geral da República (PGR), numa resposta escrita à Lusa.

O vereador socialista Manuel Pizarro considerou que é "imperioso" condenar todas as manifestações de racismo e xenofobia, para que o Porto mantenha intactos os seus "pergaminhos" de cidade da liberdade, da tolerância e da solidariedade.

"É essencial minorar, por todos os meios ao nosso alcance, os riscos de que actos como estes se repitam", frisou.

Pizarro referiu que este "intolerável ato de violência racista é raro na cidade" do Porto, não havendo praticamente relato deste tipo de situações, e não caracteriza de modo nenhum o funcionamento da STCP e o comportamento da esmagadora maioria dos seus trabalhadores e colaboradores.

Por seu lado, o presidente da câmara, o independente Rui Moreira, assumiu que todas as pessoas se sentem preocupadas e comovidas com situações desta natureza.

Saudando o ministro da Administração Interna por ter mandado abrir um inquérito, o autarca criticou o facto de, aquando da divulgação deste acontecimento, se tenho dado a entender que o Porto é uma cidade racista.

"É vergonhoso como é dado a entender que o Porto acordou racista", sublinhou.

Também o PSD, através do seu vereador Álvaro Almeida, repudiou a agressão, entendendo que converter um ato individual em algo institucional é um "passo errado".

Já Ilda Figueiredo da CDU realçou que este é um problema que está subjacente em muitas zonas do país, exigindo de todos um grande empenhamento, nomeadamente na educação para a cidadania e direitos humanos.

Na sua opinião é necessário dar formação às pessoas que estão em contacto com o público.

Depois de o caso se ter tornado público, inicialmente pelas redes sociais e depois pelos jornais, a SOS Racismo condenou a agressão à jovem Nicol Quinayas, que reside em Gondomar, no distrito do Porto.

A Inspecção Geral da Administração Interna abriu já um processo para esclarecer junto da PSP o caso e, numa nota enviada às redacções, o Ministério da Administração Interna (MAI) diz que o ministro Eduardo Cabrita "não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo".

Também a empresa de segurança privada 2045 já anunciou, em comunicado, que iniciou um processo de averiguações interno relacionado com a agressão.

Na próxima quinta-feira, o Festival Feminista do Porto promove frente à sede da STCP uma concentração contra o racismo.
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