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A quase quase totalidade das habitações no concelho sofreu danos.
A Câmara Municipal de Pombal realojou, até este sábado, 30 pessoas que pediram ajuda na sequência da passagem da depressão Kristin, num concelho onde a quase totalidade das habitações sofreu danos, disse à agência Lusa a vice-presidente da autarquia.
Depressão Kristin causou muita destruição em PombalRicardo Almeida
"Todas as freguesias foram atingidas. Nalgumas freguesias mais rurais foram quase todas as habitações. Na cidade menos, porque há maior concentração de casas e acabam por se proteger umas às outras", contou Isabel Marto, lembrando que 80% da população deste concelho do distrito de Leiria vive em áreas rurais.
O número de desalojados no concelho será muito superior e aumenta diariamente mas, segundo a vereadora, muitos deles optaram por pedir ajuda a familiares.
"Temos conhecimento de que outros foram realojados na sua rede de familiares, mas não conseguimos quantificar. As pessoas, obviamente, procuram a solução mais rápida", acrescentou.
Com as habitações totalmente ou parcialmente sem telhado e muitos munícipes idosos, uma das prioridades da autarquia está a ser levar-lhes "uma lona, um plástico, para rapidamente criar coberturas" nas casas.
Segundo Isabel Marto, "muitas das pessoas que vivem neste mundo rural são idosas e, portanto, não têm possibilidade rapidamente de fazer esse tipo de reparações".
A responsável destacou a solidariedade que tem havido entre as pessoas, que "se vão ajudando umas às outras, mas há sempre quem ainda não tenha ajuda".
"Estamos neste momento a identificar empresas, trabalhadores especializados que, de forma voluntária ou não, estejam disponível para colocar estas coberturas o mais rapidamente possível", avançou.
Outra das prioridades tem sido desobstruir vias, porque neste momento ainda não é possível chegar a todo o concelho.
"Temos um concelho com uma área florestal muito grande e cerca de dois mil quilómetros de vias. A queda de árvores impede-nos de chegar às pessoas ou de elas conseguirem vir buscar ajuda, porque não há energia, não há telecomunicações", lamentou.
Isabel Marto referiu que já foi feita "a libertação total das vias em duas ou três freguesias", mas tal ainda não foi possível na maioria das 17 freguesias.
"Começámos pelas principais vias, até porque são essenciais para chegar às outras", explicou, exemplificando com a estrada que liga Pombal a Albergaria dos Doze, que ficou "completamente desimpedida" no final do dia de sexta-feira.
As vias impedidas e a falta de comunicações têm impossibilitado a realização de um levantamento total dos prejuízos, mas Isabel Marto avançou à Lusa que, "só de património municipal, há cerca de 15 milhões de reparações quantificadas, para já, mas o número vai aumentar".
A vice-presidente da Câmara de Pombal apelou ao Governo que envie meios para o concelho, que está praticamente todo sem água e sem eletricidade.
"Esgotámos os geradores que conseguimos. Já pedimos ajuda externa à Proteção Civil, ao Governo, mas não está a chegar", lamentou, agradecendo às pessoas, empresas e autarquias que, ao ficarem a saber do que se está a passar no concelho, têm oferecido meios.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
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