Miguel Rodrigues é acusado de tentativa de violação do segredo de Estado e espionagem.
Protagonista de uma história recambolesca, digna dos livros de John Le Carré, Miguel Rodrigues tem apenas 23 anos mas uma vida recheada de adrenalina. Acusado de furtar um computador a um militar da NATO no ano passado, e de passar informação à embaixada da Rússia em Lisboa, a questão é saber se o português é de facto um espião ou apenas um oportunista a tentar amealhar uns cobres.
Espião português foi detido pela PJGetty Images
Filho de pais toxicodependentes, Miguel nasceu em Almada e foi institucionalizado ainda em bebé. Conta o JN que aos cinco anos foi adotado por um casal do Montijo, onde frequentou um externato vocacionado para alunos com necessidades especiais, acabando o 12.º ano numa escola que lecionava em inglês.
Aos 18 anos Miguel ingressou no Exército, mas saiu aos 22, acabando por emigrar para o Luxemburgo. Ali trabalhou na construção civil, dedicando-se também a pequenos furtos. Furtos que cometia igualmente nas frequentes viagens que fazia a Lisboa, onde se instalava em alojamentos e hotéis
Roubava objetos valiosos, malas no aeroporto, e era com esse dinheiro que pagava as estadias. Chegava a pedir assistência especial nos aeroportos sem ter necessidade de o fazer. O DN conta que em Lisboa chegou a levar para casa uma cadeira de rodas com o símbolo da ANA...
Obcecado com o mundo dos espiões, e considerado pelas autoridades um jovem "muito inteligente, mas com perfil de psicopata", Miguel mentia. Disse a uma namorada que era filho de Tiago Brandão, antigo ministro da Educação, e em 2023 foi preso na Ucrânia, onde contou que trabalhava para o SIS (Serviço de Informações de Segurança). Acabou por ser deportado para Portugal.
Em fevereiro do ano passado Miguel roubou um ipad e um computador da NATO a um cidadão sueco, que se encontrava em Portugal numa conferência internacional, na base do Alfeite, ligada a sistemas não tripulados, onde participavam centenas de militares estrangeiros.
O jovem português terá passado uma 'pendrive' a um diplomata russo em Lisboa, mas a investigação não conseguiu apurar o conteúdo, pelo que será acusado 'apenas' de tentativa de violação do segredo de Estado e espionagem.
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