Sábado – Pense por si

A esquadra dos horrores: todos os depoimentos das vítimas e dos polícias

Horas de crueldade e sadismo dentro do posto da polícia, numa das zonas nobres de Lisboa. Um dos principais suspeitos denunciou colegas e práticas que lhe foram “instruídas” pelos mais velhos, como dar um “tratamento” a determinados detidos. Algumas agressões acabaram publicadas em grupos de WhatsApp para deleite dos seus participantes. “Uma forma de afirmação de poder e domínio absoluto sobre as pessoas”, escreveu a juíza de instrução.

Nove meses depois de ter estado várias horas retido na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, Paulo C., 28 anos, toxicodependente e sem-abrigo, ainda se recordou do “animal” tatuado num dos antebraços do agente da PSP Guilherme Leme. O mesmo pormenor foi salientado por K. Mohamed, 29 anos, cidadão egípcio, mas com uma maior precisão: tratava-se de uma cobra. Ambos descreveram à procuradora Felismina Carvalho Franco – que investiga o caso da tortura na PSP – as horas de terror passadas no posto policial, situado numa das zonas nobres da capital. “Uma coisa de outro mundo”, como comentou o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e os depoimentos de várias vítimas, a que a SÁBADO teve acesso, o comprovam.

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