A casa, os carros e as viagens de Cunha Ribeiro

A casa, os carros e as viagens de Cunha Ribeiro
António José Vilela 28 de março de 2018

Médico, suspeito de corrupção, tentou justificar "compra" de um apartamento a Lalanda de Castro, mas a juíza de instrução não acreditou na "explicação" de Cunha Ribeiro.


Quando foi detido e presente a uma juíza de instrução criminal, o médico Cunha Ribeiro, suspeito de corrupção passiva no caso da compra de plas à Octapharma,  justificou que tinha pago o apartamento do Porto ao amigo Lalanda de Castro, representante em Portugal da empresa, com o dinheiro da venda de um imóvel que o pai lhe dera (cerca de 95 mil euros) e um parecer científico sobre lipossomas (bolhas minúsculas semelhantes a membranas celulares) avaliado em 100 mil euros que fizera para uma empresa israelita.

"Esta versão é absurda e inverosímil", começou por referir a juíza no despacho judicial, que justificou a prisão domiciliária de Cunha Ribeiro, especificando que era de todo estranho que, quando fazia parte de concursos públicos, o médico alugasse e comprasse um imóvel a um amigo concorrente. E também que deixasse ao cuidado do amigo o pagamento de burocracias como a sisa.

"Mais estranho ainda é que lhe fosse prometida informalmente a quantia de 100 mil euros, sem existir qualquer documento que suporte a sua prestação de serviços e remuneração de valor tão elevado e que tal quantia nunca lhe fosse paga ficando ‘à guarda do Paulo’ [Lalanda e Castro], tendo ambos acordado que seria deduzida no valor da casa", salientou a juíza antes de concluir: "O que se retira desta explicação inusitada é que tal pagamento nunca existiu."

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