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Trabalhadores da RTP avançam para greve após proposta da Administração

Lusa 27 de março de 2026 às 21:14

A Comissão de Trabalhadores da RTP avançou que a Administração propôs um aumento salarial de 7,50 euros, muito abaixo da recomendação do Governo.

Os trabalhadores da RTP, reunidos em plenário, decidiram que vão recorrer à greve, ao trabalho normal, suplementar e nos feriados, em resposta à "proposta de corte salarial" apresentada pela Administração.

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Instalações da RTP
Foto: Alexandre Azevedo
Nicolau Santos, presidente do Conselho de Administração da RTP
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

"O plenário geral de trabalhadores da RTP aprovou esta sexta-feira, por unanimidade e aclamação, formas de luta em resposta à proposta de corte salarial apresentada pela Administração da empresa", lê-se num comunicado conjunto dos sindicatos representativos da empresa, a que a Lusa teve acesso. Os trabalhadores decidiram ainda retirar confiança ao Conselho de Administração da empresa.

Os trabalhadores vão estar em greve ao trabalho normal, suplementar e em dias feriado. Os pré-avisos de greve ainda vão ser apresentados pelos sindicatos (FE, FETESE, SICOMP, SINDETELCO, SINTTAV, SITESE, SITIC, SJ, SMAV, STT). A Comissão de Trabalhadores da RTP avançou, esta quinta-feira, que a Administração propôs um aumento salarial de 7,50 euros, abaixo da recomendação do Governo.

"A proposta apresentada pela Administração para a revisão do Acordo da Empresa é um insulto deliberado a quem, todos os dias, assegura o serviço público de media. Perante a recomendação do Governo para o setor empresarial do Estado, que aponta para aumentos de 56,58 euros, a Administração responde com 7,50 euros", segundo num comunicado conjunto da Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP e da Subcomissão de Trabalhadores do Porto.

A proposta inicial da Administração foi de um aumento de cinco euros. Segundo a mesma nota, a Administração da estação pública quer ainda eliminar os 3% de desconto para o seguro de complemento de reforma, acabar com o subsídio de deslocação e que o trabalhador tenha que pagar três vezes mais pelo seguro. Por outro lado, o valor do subsídio de refeição não vai sofrer alterações, "apesar do aumento dos custos nos refeitórios da empresa e fora deles".

A CT da RTP e a subcomissão do Porto assinalaram ainda que a recusa do ministro da Presidência, Leitão Amaro, em atualizar a Contribuição para o Audiovisual, que está indexada à inflação, retira, este ano, aproximadamente seis milhões de euros à empresa. Desde 2017, a perda acumulada corresponde a 135 milhões de euros.

Os sindicatos vão reunir com o Conselho de Opinião e com o Conselho Geral Independente da RTP, respetivamente, em 30 e 31 de março. A próxima reunião com o Conselho de Administração, no âmbito da negociação do Acordo de Empresa, está agendada para 01 de abril.

A Lusa contactou a Administração da RTP, liderada por Nicolau Santos, na quinta-feira, para ter um comentário acerca da posição da Comissão de Trabalhadores e a Administração escusou-se a fazer comentários por ainda estar a decorrer o processo negocial.

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