Tem “orgulho” em ser amiga de Mário Machado e é apoiante do Chega: a advogada brasileira que defende o grupo 1143
Mayza Cosentino defendeu um dos arguidos da Operação Zelador, detido pelo ataque à casa de André Villas-Boas, então candidato à presidência do FC Porto.
Na passada terça-feira, 20 de janeiro, uma operação da Polícia Judiciária (PJ) deteve 37 pessoas do grupo neonazi 1143. Cinco ficaram em prisão preventiva, 29 obrigados a apresentar-se semanalmente na esquadra e três com termo de identidade e residência. Em sua defesa, está a advogada brasileira Mayza Cosentino, assumida apoiante do partido Chega e amiga de Mário Machado, o líder dos "cabeça rapadas" nacionais.
Foi à entrada do tribunal, no Campus de Justiça, em Lisboa, a 23 de janeiro, que – em declarações aos jornalistas - a advogada de defesa descreveu o 1143 como um “grupo patriótico” e “de convívio”, em tudo diferente do descrito no comunicado da PJ, que define o 1143 como uma “organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaças e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.
Mayza Cosentino revelou ainda ter “muito orgulho de ser amiga do Mário Machado”, líder do 1143, atualmente a cumprir pena na cadeia de Alcoentre, por discriminação e incitamento ao ódio e violência. E é também próxima do partido Chega, do qual é uma conhecida apoiante, tornando-se mais uma das ligações que vão surgindo entre o partido liderado por André Ventura e membros do 1143. Em várias publicações disponíveis na página de Instagram da brasileira, é clara a sua ligação ao Chega. Uma das quais, por exemplo, anuncia o voto em André Ventura nas eleições presidenciais, com a legenda "Sim, sou André 1000%", acompanhada de uma imagem com o seu retrato balizado por uma moldura da candidatura, onde se lê "portugueses primeiro".
Na sua página de Linkedin, Mayza Cosentino apresenta-se como uma "advogada criminalista", com Bacharelato em Ciências Jurídicas, diploma obtido na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na mesma página, indica que começou a exercer a profissão em 1994, desde 2017 a partir da cidade do Porto, Portugal. Foi, aliás, na Invicta que defendeu Rui dos Santos, um dos arguidos da Operação Zelador, detidos pelo ataque à casa de André Villas-Boas, então candidato à presidência do FC Porto.
Em janeiro de 2025, foi-lhe concedido - por despacho do Secretário de Estado Adjunto da Presidência - o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres e de Direitos Políticos, ao abrigo do Tratado de Amizade entre Portugal e Brasil. Em dezembro passado, a advogada criou uma petição pública para uma proposta de lei com o objetivo de "estabelecer um sistema eficaz de prevenção, combate e repressão à violência doméstica, familiar e digital praticada contra a mulher, assegurando-lhe proteção integral, atendimento humanizado e acesso célere à justiça", mas que está ainda muito longe das assinaturas necessárias para chegar à Assembleia da República (tem neste momento 108 na página da petição).