A crise da habitação (também) é uma crise de saúde mental
A perspetiva de vulnerabilidade que está associada à possibilidade contínua de não ter onde viver não é propriamente o melhor cenário para o otimismo ou a segurança necessária para enfrentar os desafios da vida.
A combinação de diferentes fatores ao longo dos últimos tempos, mas que na prática se traduz num elevado aumento da procura e uma reduzida oferta tem colocado o tema da habitação no centro da discussão. Um inventário reduzido, fruto da acumulação da ausência de decisões (ou de más decisões) ao longo de anos, e uma procura consistente e crescente têm levado a uma forte subida dos preços das casas e das rendas, muito acima do crescimento dos salários e da capacidade financeira de grande parte da população.
Como tem sido amplamente documentado, além de não existirem casas disponíveis para arrendamento em diversas zonas do país, quando as há, os preços são muito elevados, o que agrava a taxa de esforço das famílias e torna o nosso rácio entre o rendimento das pessoas e os custos com a habitação um dos piores da Europa.
Os motivos para a valorização do mercado têm sido muito discutidos, desde a ausência de construção ou reabilitação e os custos com as mesmas, até à ainda mais preocupante ausência de uma percentagem relevante de parque habitacional público, passando pelo impacto do turismo e da procura internacional. Já nos referimos a uma das consequências disto anteriormente, quando abordámos o tema das “cidades parque-temático”.
Mas esta não é uma mera discussão teórica e tem um impacto real, remetendo-nos para o desenvolvimento humano e económico e a coesão social. Do ponto de vista da saúde mental, considerada numa perspetiva da saúde - e não da doença, como habitualmente acontece quando se fala em saúde mental -, a crise da habitação tem impactos muito significativos. Ter de lidar com a incerteza permanente e com elevadas exigências, não ter qualquer perceção de controlo, em suma, a perspetiva de vulnerabilidade que está associada à possibilidade contínua de não ter onde viver não é propriamente o melhor cenário para o otimismo ou a segurança necessária para enfrentar os desafios da vida, nem é somente mais um de uma lista de outros que influenciam a nossa vida.
A crise da habitação é, assim, um entrave à autodeterminação dos indivíduos. A impossibilidade, por exemplo, de um jovem adulto, querendo, poder sair da casa dos pais e ter onde viver e viver a sua vida não é um detalhe nem uma questão de conforto, mas uma questão de largo impacto, expressa na ausência ou dificultação da realização dos próprios projetos pessoais, incluindo a constituição de uma família, e, portanto, no próprio desenvolvimento da personalidade, especialmente quando este é um período significativo para tal. O mesmo raciocínio pode ser aplicado, naturalmente, a outros períodos da vida, desde logo poder viver uma idade adulta avançada em segurança ou ter a possibilidade de ampliar a constituição da própria família.
Além do entrave ao desenvolvimento, não podemos também ignorar o problema da manutenção de situações de disfuncionalidade que decorrem da crise da habitação: a ideia de pessoas desavindas ou de casais separados que permanecem na mesma casa porque não têm a possibilidade de arranjar casa por si só ou a carência de profissionais em certas regiões do país porque os salários não comportam os custos com a habitação são alguns exemplos.
Estamos, em suma, a falar de um assunto de elevado impacto social e, portanto, prioritário no plano político. Num momento em que há quem pretenda revisitar temas que já estavam resolvidos no âmbito da autodeterminação, seria bem mais importante que, quando se fala neste tema, fossem direcionados os esforços para o que realmente interessa.
A crise da habitação (também) é uma crise de saúde mental
A perspetiva de vulnerabilidade que está associada à possibilidade contínua de não ter onde viver não é propriamente o melhor cenário para o otimismo ou a segurança necessária para enfrentar os desafios da vida.
Durante décadas, predominou a visão de que a personalidade era praticamente imutável a partir de certa idade, especialmente após a juventude. Na verdade, o cenário é mais complexo.
A questão é justamente saber se as diferenças que se encontram – os casais podem diferir em características de personalidade, altura ou ritmos de sono – são mais a regra ou a exceção.
É nestas ocasiões que os primeiros socorros psicológicos têm muito valor, avaliando a condição de cada pessoa e as suas necessidades imediatas, evitando que as pessoas se desorganizem e promovendo maior funcionalidade.
Ser anti qualquer coisa é uma tática conhecida e a mobilização é frequentemente superior quando há circunstâncias de contexto que favorecem o ressentimento, a zanga ou a revolta. Se estamos zangados com algo, estamos mais ativados e propensos para certo comportamento.
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