Com a verdade me enganas
João Paulo Batalha
16 de outubro de 2020

Com a verdade me enganas

A defesa do Governo no caso da Procuradoria Europeia é um caso de estudo de como a verdade é tantas vezes usada para branquear a mentira.

O Diabo está nos detalhes. Num país onde a confiança nas instituições é das mais baixas da Europa (e com boa razão para sê-lo), ninguém teve dificuldade em acreditar nas notícias de que o Governo tinha ignorado o resultado de um concurso europeu para a nova Procuradoria Europeia, nomeando antes alguém da sua confiança política.

Esta semana, o Governo contra-atacou. Numa audição na Assembleia da República e num comunicado onde desenrola uma longa "cronologia do processo de seleção para procurador europeu nacional", a ministra da Justiça jurou que não houve interferência política no processo e que tudo decorreu com lisura e segundo as regras.

Quem não tenha seguido o caso ao detalhe ficará com dúvidas acerca da verdade e acabará formando opinião segundo os seus (pre)conceitos de origem. Se à partida desconfia do Governo, achará que o processo de seleção foi uma golpada para punir uma magistrada incómoda. Se apoia o Governo, dirá que esta polémica foi uma "inventona" da oposição, que lançou suspeições sobre um processo limpo e legal.

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