Separatistas catalães marcam grande manifestação na segunda-feira

Lusa 09 de setembro de 2017
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Largas centenas de milhares de catalães irão apoiar a separação desta região de Espanha e a formação de um estado independente e soberano


O dia da Catalunha é assinalado na segunda-feira com uma grande manifestação em Barcelona, Espanha, onde os movimentos separatistas pretendem mostrar a força popular que têm a três semanas da realização do referendo de independência.

Largas centenas de milhares de catalães irão apoiar a separação desta região de Espanha e a formação de um estado independente e soberano, dando o seu apoio à tentativa em curso de marcação de um referendo independentista vinculativo.

A "Diada", como é conhecido o dia que assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V em 1714 depois de um cerco de 14 meses, é utilizada anualmente para defender a causa da independência com imagens que passam em todas as televisões do mundo de uma manifestação ordeira e de grandes dimensões.

Este ano tem como palavra de ordem "A Diada do Sim", uma alusão explícita ao sentido de voto em 1 de Outubro, que já foi criticada por vários partidos que consideram ilegal a consulta popular.

Fonte dos movimentos separatistas disse à agência Lusa que já há milhares de pessoas inscritas para participar na Diada deste ano e que já foram alugados pelo menos 1.500 autocarros para levar manifestantes para Barcelona a partir de todo o território da Catalunha.

"Este 11 de Setembro teremos a mobilização mais transcendente da história do país [Catalunha]", declararam os separatistas, assegurando que "a Diada do Sim" se irá "converter no tsunami do sonho que levará, a partir do compromisso com a democracia, à maioria para a independência em 1 de Outubro".

Os Governos de Espanha e da Catalunha têm até agora "esgrimido" argumentos jurídicos para se opor ou para apoiar as pretensões independentistas da região, mas ainda é pouco clara a forma como vai evoluir a situação a partir deste momento.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu na quinta-feira, como medida cautelar, a lei aprovada no dia anterior pelo Parlamento da Catalunha que dava cobertura legal à realização, em 1 de Outubro, do referendo independentista nesta comunidade autónoma.

O Governo da Catalunha (Generalitat) também tinha assinado na quarta-feira o decreto que convoca para 1 de Outubro a realização do referendo, decisão que o executivo nacional de Mariano Rajoy considera inconstitucional.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados em Quebec (Canadá) ou Escócia (Reino Unido).

Em 2014, os independentistas organizaram uma "consulta simbólica" sob a forma de referendo não vinculativo na Catalunha, em que participaram 2,3 milhões de pessoas, oitenta por cento das quais se pronunciaram pela independência.

O chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, sublinhou na quinta-feira que "a convocação de um referendo sobre a independência" pelos dirigentes catalães "representava um ato intolerável de desobediência às instituições democráticas".

"Ninguém vai vacilar na hora de cumprir o seu dever. A democracia responderá, fá-lo-á com firmeza, com equilíbrio, com serenidade e com dignidade", afirmou Mariano Rajoy.

Os independentistas defendem que cabe apenas aos catalães a decisão sobre a permanência da região em Espanha, enquanto Madrid se apoia na Constituição do país para insistir que a decisão sobre uma eventual divisão do país tem de ser tomada pela totalidade dos espanhóis.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde Setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma dimensão de um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.
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